Críticas


NA MIRA DO ATIRADOR

De: DOUG LIMAN
Com: AARON TAYLOR-JOHNSON, JOHN CENA, LAITH NAKLI
03.09.2017
Por Luiz Fernando Gallego
Quase um filme de personagem único com tour de force interessante do ator e da direção.

Muito mal lançado em sua primeira semana no Rio, Na Mira do Atirador ainda está em cartaz pelo menos até o feriado de sete de setembro em mais salas da cidade e com mais opções de horário. Vale conferir.

Com menos de hora e meia de duração, The Wall (título original) é quase um filme de personagem único - um tour de force interessante do ator - que dialoga o tempo todo por rádio com outro personagem que jamais será visto, ainda que onipresente na trama.

Quanto menos dissermos sobre o enredo, melhor para quem ainda não viu. O filme poderia ganhar com uns dez minutos a menos, mas não dá para se queixar do suspense atingido durante toda a projeção. O pano de fundo da situação é político, mas o filme evita proselitismo explícito. Claro que há indução à identificação da plateia com o sargento Isaac, interpretado com intensidade por Aaron Taylor-Johnson - que já incarnou John Lennon antes da fama em O Garoto de Liverpool e levou um Globo de Ouro de coadjuvante ano passado no pretensioso Animais Noturnos. O perigo que representa o atirador árabe e a antipatia para com a Al-Qaeda, entretanto, mescla-se com a pergunta que o árabe faz mais de uma vez ao americano: o que ele está fazendo ali se a guerra já teria sido dada por finda?

Mas o que importa mesmo é como foi atingido o propósito de fazer um filme de ação quase sem o que se toma habitualmente como “ação” (se equalizada a movimento). No caso, os movimentos que contam são o da câmera em cima do rosto do ator e no entorno para além do muro em ruínas atrás do qual o soldado americano tenta se proteger. Quase poderia ser uma peça para o palco com traços de teatro do absurdo. Neste sentido, não deixa de ser um pouco surpreendente encontrarmos a assinatura de Doug Liman na direção - já que ele é mais conhecido por resultados irregulares em filmes como A Identidade Bourne (o primeiro da série com Matt Damon) e vários com Tom Cruise (como No Limite do Amanhã). Fora dos clichês do gênero, não se pode negar que ele se saiu bastante bem. Mas não chega a ser uma grande surpresa se lembrarmos que ele também dirigiu Jogo de Poder (2010)

Cabe também destacar a fotografia do russo Roman Vaysanov que já havia merecido destaque por outro filme de guerra, Corações de Ferro (2014) e pelo subestimado Marcados para morrer (2012).

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