Críticas


MISSÃO IMPOSSÍVEL 3

De: JJ ABRAMS
Com: TOM CRUISE, VING RHAMES, MICHELLE MONAGHAN, PHILIP SEYMOUR HOFFMAN
14.05.2006
Por Ricardo Cota
EGO IMPOSSÍVEL

O tema principal ainda não tocou, mas Missão Impossível 3 já deu o seu recado. Os créditos ainda não rolaram, mas o espectador já viu Tom Cruise chorar, Tom Cruise rebelar-se, Tom Cruise gritar, enfim, pouco importa a missão impossível, o importante é que pelo menos uma coisa fique bem clara: haja o que houver, Tom Cruise estará lá.



Pior filme da série, Missão Impossível 3 existe para servir ao ego impossível do ator, craque em dar mostras de transbordamento ególatra, como saltitar ridiculamente no cobiçado sofá de Oprah Winfrey, protagonizando uma cena que fez a festa dos humoristas americanos.



Se sobra Cruise, falta ao filme um roteiro minimamente convincente. O fiapo de história não oferece maiores atrativos aos elementos que fizeram da série uma das mais charmosas na linha aventura e espionagem. O uso dos disfarces, as particularidades de cada elemento do grupo, os desafios intransponíveis, tudo fica em segundo plano numa trama que em sua precariedade busca amparo no argumento de True Lies e nas peripécias internacionais do velho James Bond.



O diretor JJ Abrams, o moderninho da hora alçado à glória pelos adoradores de Lost, mais novo alcorão do pop perfunctório, não passa de um técnico de luxo. Na comparação com os antecessores perde feio. Brian De Palma, diretor do primeiro da série, emprestou muito do seu estilo próprio de filmar, criando climas essencialmente cinematográficos, sem poupar planos-sequências, e acrescentando suspense inteligente à antológica cena em que Cruise, por um fio, luta contra uma gota de suor.



Missão Impossível 2, o mais autoral, e melhor dos três, é acima de tudo um filme de John Woo. Renovador da linguagem dos filmes de ação contemporâneos, Woo serviu-se da série para deixar registrado seu talento na arte de estender as ações, coreografá-las musicalmente e ainda debochar do público. Adrenalina, dança e ironia compõem a base de sua química.



JJ Abrams limitou-se a seguir a cartilha, sem grandes riscos. A competência técnica de Missão Impossível 3, com pelo menos duas espetaculares seqüências de ação, no Vaticano e nos céus de Shangai, não estipula um diferencial. De marcante, além da imposição de Cruise, apenas o comercial de Lamborghini. Mas quem sabe não seja esta a missão do filme: faturar milhões na bilheteria e autodestruir-se em cinco segundos?



Sendo assim, missão cumprida.



# MISSÃO IMPOSSÍVEL 3 (MISSION: IMPOSSIBLE 3)

EUA, 2006

Direção: JJ ABRAMS

Roteiro: ALEX KURTZMAN, ROBERTO ORCI E J.J. ABRAMS

Produção: TOM CRUISE E PAULA WAGNER

Fotografia: DANIEL MINDEL

Edição: MARYANN BRANDON E MARY JO MARKEY

Música: MICHAEL GIACCHINO

Elenco: TOM CRUISE, VING RHAMES, MICHELLE MONAGHAN, PHILIP SEYMOUR HOFFMAN, LAURENCE FISHBURNE, BILLY CRUDUP, KERI RUSSELL, JONATHAN RHYS MEYERS

Duração: 126 min.

site: www.missionimpossible.com

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