Críticas


CÓDIGO DA VINCI, O

De: RON HOWARD
Com: TOM HANKS, AUDREY TAUTOU, IAN McKELLEN, JEAN RENO
14.06.2006
Por Marcelo Janot
PRA NÃO TER QUE LER O LIVRO

Se o objetivo principal de um bom filme de ação é prender a atenção do espectador durante toda sua duração, não há dúvidas de que, neste aspecto O Código da Vinci é bem-sucedido. Especialmente para aquele que não leu o tão falado best-seller de Dan Brown e sai do cinema tonto com tanta informação, tentando montar o quebra-cabeças do que lhe foi oferecido, em ritmo vertiginoso, durante duas horas e meia.



O problema maior de O Código da Vinci é quando a poeira baixa, a mente volta ao ritmo normal e a impressão inicial de que vários pontos da mirabolante trama não se conectam é reforçada. Difícil saber a quem culpar: o escritor Dan Brown, por sua imaginação fértil capaz de conquistar milhões de fãs e merecer críticas de outros tantos; o roteirista Akiva Goldsman, pela frustrada tentativa de condensar tanta informação em um único filme; ou o diretor Ron Howard, que mesmo prendendo o espectador na poltrona não consegue fazê-lo acreditar no que está na tela?



Críticos mais condescendentes hão de dizer que uma obra de ficção (o filme) baseada em outra obra de ficção (o livro) não tem a menor obrigação de assumir um compromisso com a realidade. Bobagem. Se foi a verossimilhança, no caso de uma obra que lida com um fato histórico como a vida de Cristo, que garantiu ao livro de Dan Brown tanta repercussão, o filme não poderia deixar de buscá-la a qualquer custo.



O Código da Vinci até que tenta soar verdadeiro, inclusive com bem-cuidadas cenas de época pra ilustrar o blá-blá-blá teórico, mas fracassa ao sucumbir aos (piores) cacoetes aventurescos das aventuras de James Bond, a começar por uma ridícula perseguição de carros em que Sophie, a personagem de Audrey Tautou, dirige por ruas estreitas de Paris subindo em calçadas e desviando de carros e pedestres, de marcha-ré! Na cena em que os personagens saem de um avião para dentro de um carro sem serem vistos, além da implausibilidade, o roteiro não consegue uma solução mais criativa para explicar o truque do que enfiar toscamente um flashback no meio da narrativa.



Há muito mais “furos” que comprometem a trama detetivesca, como a morte do avô da moça no início, a convicção do investigador de que Robert Langdon (Tom Hanks) seja o culpado, a cena da igreja no final. Enfim, mais uma vez fica provado que a carência de bons roteiristas em Hollywood é grave, porque mesmo um livro polêmico mas cheio de elementos cinematográficos não é capaz de render um thriller convincente. O Código da Vinci desperdiça dinheiro e bons atores, como Paul Bettany, Jean Reno e Alfred Molina em papéis caricaturais. No fim das contas, só não é perda de tempo pra quem queria ter uma opinião sobre assunto tão instigante mas tinha preguiça de ler o livro. Estes, ao menos, já não vão mais ficar boiando nos papos de mesa de bar.



# O CÓDIGO DA VINCI (THE DA VINCI CODE)

EUA, 2006

Direção: RON HOWARD

Roteiro: AKIVA GOLDSMAN

Produção: BRIAN GRAZER, JOHN CALLEY

Fotografia: SALVATORE TOTINO

Edição: DAN HANLEY, MIKE HILL

Música: HANS ZIMMER

Elenco: TOM HANKS, AUDREY TAUTOU, IAN McKELLEN, JEAN RENO, PAUL BETTANY, ALFRED MOLINA.

Duração: 154 min.



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