Críticas


GLORY

De: Kristina Grozeva e Petar Valchanov
Com: Stefan Denolyubov, Margita Gosheva.
11.10.2017
Por Dinara Guimarães
O que não pára de acontecer sem levar ao pior

Glory, (Slava, no original Glória, em português), uma coprodução Bulgária/Grécia de Kristina Grozeva e Petar Valchanov, ironiza a manipulação no campo político pelos meios de comunicação em cumplicidade com o crime organizado, evidenciando a corrupção na administração pública, a fraqueza do poder judiciário, a recusa de saber e a mentira. Assim os diretores integram os elementos flagrantes nas relações políticas e na esfera humana, para trazer à tona o cimento do campo social e a mola da servidão.

A trama é articulada em torno de Tsanko Petrov (Stefan Denolyubov): um trabalhador ferroviário da Bulgária transformado em herói nacional por haver entregado à polícia enorme quantia de dinheiro que ele encontrara jogada pelos trilhos de um trem. Mas tudo não passa de uma farsa do Ministério dos Transportes onde Julia Staikova (Margita Gosheva), atua como chefe de relações públicas. Na verdade, Petrov é ridicularizado por querer reaver seu relógio de estimação, marca russa Slava, que foi perdido por Júlia ao trocá-lo por um novo relógio de pulso digital como recompensa - o qual logo parou de funcionar - além dele ser forçado a prestar um depoimento mentiroso para limpar a imagem da organização governamental corrupta.

Logo de início, o filme transmite ao espectador o discurso liberal da ciência-ficção por meio de uma metáfora com a biomedicina. De um lado, representa a farsa da construção de um herói, do outro, a de procriar um ser por uma mulher estéril. O desdobramento da narrativa, não é senão o seu papel de uma mulher moderna virtualmente conectada que transita entre o projeto familiar do desejo frio de filho, em tratamento de fertilidade por procriação artificial, e a demanda do Ministério dos Transportes de transformar a honestidade de Petrov em ativos midiáticos. Esse se torna o fato maior no decorrer do qual tudo leva ao pior.

Dinara Machado Guimarães é autora dos livros "Voz na Luz", "Vazio Iluminado : o olhar dos olhares" e "Escuta do desejo"

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