Críticas


FESTIVAL DO RIO 2007: ENTRE OS MORTOS

De: JORGE DALTON
28.09.2007
Por Carlos Alberto Mattos
HERANÇA MACABRA

El Salvador praticamente não tem cinema. Os docs que fizeram fama à época da guerra civil desapareceram com o fim dos conflitos. Jorge Dalton, filho do escritor e guerrilheiro Roque Dalton (1935-1975), é talvez o mais conceituado cineasta salvadorenho atual. Ele viveu em Cuba, onde foi discípulo de Santiago Álvarez e Fernando Birri. Voltou ao país natal em 1998 e tem se dedicado à TV, docs e videoclipes.



Entre los Muertos tem muitos defeitos vindos da confusão de registros: câmera desleixada, edição tosca, filtros horrorosos, trilha sonora espalhafatosa e uma inclinação pelo clipe como tapa-buracos. Mesmo assim, o filme se impõe pelo tema, que são as várias formas de banalização da morte em El Salvador.



A guerra deixou cerca de 75.000 mortos e uma herança macabra. A morte e seus signos deixaram de ser um mito para se transformar em motivo de anedotas e objeto de comércio desenfreado, quando não de olímpica indiferença. Uma favela instalada há décadas num cemitério de San Salvador; uma cidade onde as famílias enterram seus mortos no terreno em frente às casas; o carnaval colorido das tumbas no Dia dos Santos Defuntos. O país criou até um verbo próprio, muertiar, para designar a disputa por comissões entre informantes de agências funerárias.



Jorge Dalton dirige, fotografa e produz. Não parece preocupado em ter estilo, mas em envelopar a maior quantidade possível de informações visuais e sonoras sobre o assunto. Tampouco se incomoda com os estereótipos. O filme deixa a impressão de que, em El Salvador, ninguém morre de causas naturais, mas sempre por acidente ou assassinato.



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ENTRE OS MORTOS (ENTRE LOS MUERTOS)

El Salvador, 2006

Direção, fotografia e produção:
JORGE DALTON

Duração: 60 minutos

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