Críticas


FESTIVAL DO RIO 2007: PINDORAMA

De: ROBERTO BERLINER
28.09.2007
Por Carlos Alberto Mattos
EQUILÍBRIO E GRAÇA

Em Pindorama, Roberto Berliner volta a desafiar nossos pré-conceitos politicamente corretos em relação a portadores de deficiência. Diante do diferente, tendemos a adotar um discurso de proteção e respeito, quando não de falsa naturalidade. Com as ceguinhas de Campina Grande, Berliner recusou-se a qualquer forma de compaixão disfarçada. Embarcou no lúdico da proposta tanto quanto as próprias personagens – e não escamoteou as conseqüências.



Com os anões do Circo Pindorama), ele não chegou a desenvolver uma relação íntima. O filme, na verdade, é uma grande apresentação de personagens, mas com o frescor de uma abordagem isenta e livre. Enquanto conhecemos essa grande família, vamos percebendo a estrutura de poder no empreendimento, o apelo sexual dos “pequenos”, o efeito da reputação artística sobre o ego de cada um.



A maior parte das piadas dos anões – dentro e fora do picadeiro – é com a sua própria condição física. Eles satirizam a si mesmos e têm um imenso prazer em exibir suas qualidades. Berliner se faz cúmplice deles. Coloca a câmera a serviço da verve deles. O aparato cinematográfico (fotografia, edição, músicas de Lula Queiroga) é usado para potencializar a fluência e a hiperatividade deles.



Pindorama é para gente tão desencanada quanto os sete anões. Fellini no sertão, equilíbrio e graça sem culpas nem exploração.



Visite o DocBlog do crítico.



PINDORAMA – A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS SETE ANÕES

Brasil, 2007

Direção:
ROBERTO BERLINER, LULA QUEIROGA, LEO CRIVELLARE

Duração: 75 minutos

Voltar
Compartilhe
Deixe seu comentário