Críticas


FESTIVAL DO RIO 2007: PERSONAL CHE

De: DOUGLAS DUARTE e ADRIANA MARIÑO
28.09.2007
Por Carlos Alberto Mattos
CHE DEPOIS DE CHE

Muitos filmes já foram feitos sobre o mito Che Guevara, e isso faz parte do mito. Mas poucos têm a originalidade e o frescor dessa atração da mostra Doc Latino. Enquanto Walter Salles, em seu Diários de Motocicleta, abordou o homem antes da lenda, Personal Che faz a operação inversa: deixa de lado o homem para enfocar a imagem mítica que atravessa culturas e décadas sem perder o brilho.



O brasileiro Douglas Duarte e a colombiana Adriana Mariño juntaram esforços e talentos para mapear o culto ao Che nos quatro cantos do mundo. O rosto belo e os cabelos revoltos do eterno guerrilheiro são capazes de criar um elo entre uma ópera musical em Beirute e uma passeata neonazista na Alemanha; entre um taxista fervoroso de Havana e um deputado rebelde de Hong Kong; entre a mitomania de um colecionador de Los Angeles e as preces contritas de uma camponesa boliviana.



Ao longo do filme, Che é comparado a Cristo, ao Papa, a Hitler e a califas árabes. O que restou de sua história real foi uma superfície romântica onde cada grupo projeta seus ideais e mitificações. As imagens do guerrilheiro são objeto de legítima devoção religiosa, discussões renhidas e análises por intelectuais como Jorge Castañeda, Paul Berman, David Kunzle, Christopher Hitchens e Oliviero Toscani. De escritores a proletários, a dificuldade é a mesma para definir a natureza do fenômeno.



Personal Che tem uma estrutura que merece ser estudada por alunos de roteiro de documentários. Conta também com um design gráfico caprichado, que tira partido da proliferação da esfinge do Che. Mas, para além da qualidade técnica, o filme tem inteligência de sobra. Os realizadores assumem uma atitude sutilmente provocativa, inquirindo seus personagens e criando situações ora comoventes, ora hilariantes, mas sempre reveladoras. A História perdeu. Agora só existe o Che de cada um.



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PERSONAL CHE

Colômbia/EUA/Brasil, 2007

Direção:
DOUGLAS DUARTE, ADRIANA MARIÑO

Duração: 87 minutos

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