Críticas


CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON, O

De: DAVID FINCHER
Com: BRAD PITT, CATE BLANCHETT, TILDA SWINTON
18.01.2009
Por Daniel Schenker
LUGAR DE CLASSE NA GRANDE INDÚSTRIA

Adaptação de um conto de F. Scott Fitzgerald, do final dos anos 20, O Curioso Caso de Benjamin Button pertence ao grupo de filmes que se destaca pelo desfile de observações existenciais que proporciona no decorrer de sua longa projeção (165 fluentes minutos). Um predicado que chama atenção numa época em que a inventividade é quesito cada vez menos valorizado. Uma produção que não se renda ao deslumbramento diante dos recursos tecnológicos é sempre um fato a comemorar, mas talvez o lugar especial de um projeto como esse dentro do cinema de indústria em vigor nos dias de hoje tenha sido um pouco ostentado na concepção do roteiro.



O Curioso Caso de Benjamin Button é centrado no mais constante dos temas – o tempo. Conta a história do personagem-título (interpretado por Brad Pitt, em atuação contida, bem menos inspirada que a composição apresentada no recente Queime Depois de Ler ), que nasce atravessado por um descompasso: corpo de idoso e cabeça de criança. Com o passar dos anos, Button segue o percurso inverso e rejuvenesce fisicamente. Escorado no protagonista de Fitzgerald, legítimo representante da perspectiva convencional de que “as aparências enganam”, o cineasta David Fincher toca em pontos delicados: a solidão enfrentada por todos aqueles que são ou se sentem destoantes do meio no qual estão inseridos e a impotência diante da inevitabilidade da morte.



As opções formais evidenciadas em O Curioso Caso de Benjamin Button reeditam determinados recursos freqüentemente utilizados – o contraponto entre a tonalidade quente de todo o plano da história ambientado na casa de Button em Nova Orleans, no passado, e o azul frio na atmosfera do hospital onde está internada Daisy (Cate Blanchett), grande amor do protagonista, no presente – e/ou são questionáveis – os cortes algo abruptos da montagem no entrelaçamento das épocas.



Também é inevitável que ecos de louvados exemplares da grande indústria venham à tona – filmes como Forrest Gump , de Robert Zemeckis, sobre o jovem de QI abaixo da média que participa acidentalmente de marcos importantes da história norte-americana, e Titanic , de James Cameron, superprodução realizada a partir do lendário naufrágio de 1912. O vínculo com o primeiro é evidente, ainda que Fincher mais mencione do que realce a conexão de Button com fatos históricos. Em relação ao segundo há certa semelhança na estrutura, na medida em que Daisy, assim como a Rose feita por Kate Winslet/Gloria Stuart, relembra na velhice de tudo o que aconteceu.



# O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON)

EUA, 2008

Direção: DAVID FINCHER

Roteiro: ERIC ROTH, ROBIN SWICORD

Produção: CEÁN CHAFFIN, KATHLEEN KENNEDY, FRANK MARSHALL

Música: ALEXANDRE DESPLAT

Fotografia: CLAUDIO MIRANDA

Elenco: BRAD PITT, CATE BLANCHETT, TILDA SWINTON, JULIA ORMOND

Duração: 165 minutos



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