Críticas


FESTIVAL DO RIO 2009: MOSTRA MIDNIGHT MOVIES

De: VÁRIOS DIRETORES
01.10.2009
Por Críticos.com.br
FESTIVAL DO RIO 2009: MOSTRA MIDNIGHT MOVIES

AMERICAN BOY + AMERICAN PRINCE



Direção: Martin Scorsese + Tommy Pallotta



por Carlos Alberto Mattos em 07/10/2009



A reunião desses dois médias de Martin Scorsese e Tommy Pallotta traz à tona um personagem imperdível. Steven Prince, de biografia agitada e incrível talento para contar histórias, tem cenas de sua vida reproduzidas em Pulp Fiction e Waking Life, sem falar na inspiração que certamente exerceu sobre Scorsese. Este filmou seus relatos em 1977, num encontro doméstico que poucos conheciam. Pallotta o retomou 30 anos depois, como se a conversa apenas continuasse.



Prince não mede palavras para contar seu envolvimento com homossexualismo, drogas e violência, nem para dar detalhes sobre a vida de amigos como Scorsese, Liza Minnelli e Robbie Robertson (The Band). Os dois filmes absorvem essa franqueza e abrem uma janela privilegiada sobre o showbiz americano dos anos 1970 e 80.



Ambos deixam transparecer a duvidosa felicidade de um doidão que, afinal de contas, não encontrou o seu lugar na ribalta. Steven Prince, ex-ator, ex-roadie de Neil Young e ex-figuraça de Hollywood, é hoje um empreiteiro da construção civil. Imagino que ainda venha por aí um longo baseado, digo um longa baseado em sua vida



__________________________________________________________________________________



UMA MODA TRANSGRESSORA (Ein Traum in Erdbeerfolie / Comrade Couture)



Direção: Marco Wilms



por Carlos Alberto Mattos em 05/10/2009



Marco Wilms encontrou uma nesga de liberdade em sua juventude na Alemanha comunista quando se tornou modelo underground. Hoje é um pai de família e documentarista relativamente bem-comportado. Nesse seu quarto doc de longa metragem, ele recorda e tenta reviver um pouco dos tempos de transgressão com sua turma de estilistas, fotógrafos, performers e maquiador. Eles desafiaram a rigidez dos anos 1980 com atitudes ousadas e uma moda produzida com tecidos ruins, cortinas de banheiro e plásticos de cobrir plantações de morango.



O filme contém um pequeno tesouro em fotos e filmetes de moda da TV alemã-oriental. Nas conversas com seus antigos colegas, Wilms recolhe lembranças divertidas e também uma certa nostalgia dos tempos em que as limitações e a contestação produziam uma cultura, uma identidade e um senso de grupo hoje desaparecidos na normalidade capitalista. O roteiro articula bem os campos do comportamento e da política, e se fracassa no desfile de revival final é, em parte, porque a História, ao contrário da moda, não se repete.



____________________________________________________________________________________



BIG RIVER MAN



Direção: John Maringouin



por Carlos Alberto Mattos em 04/10/2009



O esloveno Martin Strel é um nadador maratonista que – dizem – já percorreu a extensão de grandes rios como o Danúbio, o Mississippi e o Yang-tsé. O filme de John Maringouin faz a crônica de sua aventura pelo Rio Amazonas em 2007. Não sei se o feito é real, pois todo o noticiário baseia-se no blog do próprio atleta. No filme, quase tudo cheira a engodo. É um mockumentary que apresenta Strel como personagem de comédia. Ele é gordo, beberrão e não fala inglês. Logo, toda a narração é feita pelo filho, Borut, que não hesita em qualificá-lo como “o último super-herói do mundo”.



A ambiguidade entre fatos e ficção tem sido elogiada bem mais que o merecido. E a fotografia, premiada em Sundance!, mescla registros mais ou menos banais com vistosas imagens de arquivo da Amazônia, montadas para gerar suspense, falsa grandiosidade e uma mensagem ecológica vazia de tão genérica. Desconfio que estão comprando gato por lebre. A história do “homem-peixe” está menos para o homem-urso de Herzog que para Borat. É ocasionalmente divertido, mas não chega perto de nenhum dos dois.



____________________________________________________________________________________



HAIR INDIA



Direção: Raffaele Brunetti e Marco Leopardi



por Carlos Alberto Mattos em 29/09/2009



Cameron Diaz e o Bispo Macedo deviam ver esse filme. Ela, para saber de onde exatamente vêm os apliques que usa para alongar as famosas madeixas. Ele, para descobrir mais uma forma possível de explorar os fiéis de suas igrejas. Os documentaristas italianos Raffaele Brunetti e Marco Leopardi escolheram com olho clínico três pequenos núcleos de personagens: um comerciante italiano bem-sucedido no fluxo internacional de cabelos; uma jornalista de fofocas que espera seu aplique e nos guia pelo mundo fashion de Mumbai; e uma paupérrima família de Bengala, que faz sua peregrinação religiosa para doar os cabelos à espera de cura e indulgências.



É o suficiente para o filme desvelar todo um sistema perverso que tira partido da ignorância, da boa-fé e da tradição hinduísta. O longo processamento dos cabelos na fábrica da Great Lengths é como uma higienização dos laços sociais existentes entre os miseráveis que doam, os templos que vendem e as celebridades que consomem os fios humanos. Uma aula de documentário – sem retórica, sem entrevistas, apenas a observação e a convivência.



___________________________________________________________________________________



VOGUE – A EDIÇÃO DE SETEMBRO (The September Issue)



Direção: R. J. Cutler



por Carlos Alberto Mattos em 28/09/2009



Sucesso relativo nos EUA, o filme de R. J. Cutler é visto e vendido como uma versão documental de O Diabo Veste Prada. O conflito entre a editora Meryl Streep e a estagiária Anne Hathaway é aqui reeditado como as rusgas reais entre a poderosa editora-chefe Anne Wintour e sua diretora de criação, Grace Coddington. Uma é maquinal, hard. A outra é humana, soft. Temos aí um esboço de dramaturgia capaz de sustentar o interesse da plateia. Anne Wintour já abre o filme desqualificando os “excluídos” desse pequeno grand monde. A antipatia é uma virtude de bons personagens.



No mais, estamos no reino dos docs fashion – não só no sentido das roupas, mas no de uma linguagem que combina o clipe musical, o perfil impressionista e o culto à celebridade. O pretenso making of da edição de setembro de 2007 da Vogue americana (mais de 800 páginas que ditam o consumo de moda no resto do ano) limita-se a um desfile de vaidades, ressentimentos semi-explícitos e frescuras escancaradas. Bom programa para quem gosta de se sentir inapelavelmente excluído.

купить диван киев
www.dmi.com.ua
www.別れさせ工作.com

Voltar
Compartilhe
Deixe seu comentário