Críticas


FESTIVAL DO RIO 2010: MOSTRA MIDNIGHT MOVIES

De: Vários diretores
Com: Vários intérpretes
24.09.2010
Por Críticos.com.br
MOSTRA MIDNIGHT MOVIES

NOSSA VIDA EXPOSTA (We Live in Public)



de Ondi Timoner. Estados Unidos, 2009. 89min



por CARLOS ALBERTO MATTOS



O máximo de exposição pode se equivaler ao máximo de repressão – eis o que demonstra esse ótimo doc de Ondi Timoner. Ex-funcionária da pioneira webTV Pseudo.com, ela herdou a tarefa de montar o filme a partir das 5 mil horas filmadas em torno do arauto da internet Josh Harris ao longo de duas décadas. O que resultou é um mergulho sem precedentes na lógica que comandou os primeiros anos de vida virtual, antecipando dramaticamente a realidade atual da autoexposição e das redes sociais.



Entre seus pares, Harris teve o diferencial de fazer isso como uma proposta radical de comportamento. Para o projeto Quiet: We Live in Public (1999), ele reuniu mais de 100 voluntários para viver num bunker subterrâneo sob vigilância constante (mesmo!) de dezenas de webcams, em regime de total conectividade. A todos era concedida liberdade total e, ao mesmo tempo, um tratamento de Guantánamo. Mais tarde, Harris repetiu a experiência com ele mesmo e sua namorada, dividindo com o público cada segundo da convivência do casal durante meses. Que todas essas empreitadas tenham terminado mal não chega a afetar sua importância visionária. O teor de disponibilidade, vigilância e mesmo sadomasoquismo da autoexposição servem como reflexo antecipado – e aumentado – do que vivemos hoje cotidianamente.



Nossa Vida Exposta (We Live in Public) nos familiariza um pouco com “internet enterpreneurs”, “surveillance artists”, “interrogation artists” e toda uma fauna de “dot.com boys” que passou do anonimato ao estrelato e de volta à obscuridade em poucos anos. Josh Harris é um deles, talvez o mais performático, a ponto de ter sido chamado de “Warhol da webTV”. Ele é o eixo central de um roteiro primoroso, tão coeso que cada depoimento ou cena de arquivo parece ter nascido já dentro do filme. O gigantesco e energético trabalho de edição não deixa fios perdidos e mantém o sabor de entretenimento. Ao fim da projeção, é como se saíssemos de uma montanha russa, mas com um gap de informação preenchido sobre as origens da contemporaneidade.



Midnight Movies - (LEP) - 14 anos



SEX (24/9) 17:40 Est Vivo Gávea 4 [GV403]



SAB (25/9) 12:15 Espaço de Cinema 2 [EC207]



SAB (25/9) 23:30 Espaço de Cinema 2 [EC212]



DOM (26/9) 17:20 Est Barra Point 2 [BP213]



SEG (27/9) 21:40 Estação Ipanema 1 [IP120]



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BURACO NEGRO (L’autre monde), de Gilles Marchand.



França / Bélgica, 2009. 104min.



por Luiz Fernando Gallego



Com um enredo excessivamente decalcado no de Veludo Azul, de David Lynch, este filme troca a droga propriamente dita do filme de Lynch por uma outra compulsão/dependência que não existia na época de Blue Velvet : a internet com seus jogos, mundos e identidades virtuais. Neste aspecto, o filme até poderia interessar a um público jovem contemporâneo, já que o “joguinho” que justifica o título original em francês, L’Autre Monde (O Outro Mundo) é razoavelmente atraente. E a narrativa visual não deixa de ser correta nos ¾ iniciais do filme, até mesmo com uma boa câmera na cena em que o casal “certinho”, ‘Gaspard’ (em boa composação de Grégoire Leprince –Riguet) e ‘Marion’ descobrem um carro fechado com um cachorro ganindo à sua volta.



Mas o roteiro deixa grandes furos abertos e muitas incoerências quando pretende “esclarecer” a situação e as atitudes dos personagens ‘Vincent’ e ‘Audrey’, reduzindo tudo à revelação de um suposto mistério de resolução banal e insossa. No final das contas, aproveitando o título em inglês (Black Heaven) e o nome do joguinho no qual alguns personagens se envolvem (“Black Hole” – o Buraco Negro do título nacional), podemos garantir que este sub-Veludo Azul não passa de um “veludo negro”. E a louraça Louise Bourgoin como ‘Audrey’, apesar de bonita, não tem uma aura como a de Isabella Rossellini para virar tanto a cabeça de ‘Gaspard’. Aliás, ‘Sam’, o avatar digital de ‘Audrey’, quando aparece cantando é bem mais atraente.



Midnight Movies - (LEP) - 16 anos



SEX (24/9) 13:20 Est Vivo Gávea 4 [GV401]



SEX (24/9) 19:50 Est Vivo Gávea 4 [GV404]



SAB (25/9) 13:20 Est Barra Point 2 [BP206]



QUA (29/9) 12:15 Espaço de Cinema 2 [EC231]



QUA (29/9) 23:30 Espaço de Cinema 2 [EC236]



SEX (1/10) 21:40 Estação Ipanema

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