Críticas


FESTIVAL DO RIO 2010 – PREMIÈRE LATINA

De: VÁRIOS DIRETORES
Com: VÁRIOS INTÉRPRETES
23.09.2010
Por Críticos.com.br
PREMIÈRE LATINA - FESTIVAL DO RIO 2010

ZONA SUR (Zona Sur)



de Juan Carlos Valdivia, Bolivia, 2009 (109´)



por Luiz Fernando Gallego



O Festival de Sundance deste ano destacou Juan Carlos Valdivia como diretor e roteirista de seu filme Zona Sur, o que pode surpreender o espectador que for conhecer esta produção boliviana estimulado pelas premiações: o roteiro é repetitivo, “didático” e excessivo na explicitação de suas intenções; e a direção se mostra exibicionista no pretenso virtuosismo de uma câmera sempre móvel, seja com incessantes planos seqüências circulares, de 360°, especialmente nos interiores, ou em movimentos de grua (verticais) nos exteriores em que o menino ‘Andrés’ está sobre o telhado da casa (‘mansão’ na sinopse) conversando com seu amigo imaginário de nome ‘Spielberg’.



A maior parte do filme, em sua hora e cinquenta minutos de duração, se passa nos interiores de uma casa em um bairro onde mora a elite de La Paz. Nela, residem a mãe divorciada e seus três filhos: um rapaz que nem adquire camisinhas para transar com a namorada, tarefa que espera que sua mãe cumpra; uma moça que se defronta em discussões intermináveis com os valores e convenções burguesas da mãe e o já citado menino que fantasia seu desejo de voar com asinhas de papel azul que ele mesmo construiu; às vezes em sua imaginação, “voaria” acompanhado da mãe.



Todos dependem no dia-a-dia de modo parasitário dos empregados ‘Wilson’ e ‘Marcelina’, de origem indígena e que conversam entre si numa língua nativa que não é o mesmo castelhano dos patrões. A relação entre a dona da casa, ‘Carola’, e o serviçal ‘Wilson’ transita na mesma ambigüidade freqüente no Brasil de muitos anos: os empregados são quase da família, tratados com tanta consideração quanto abuso exigente pelos que são, de fato, a família patronal. Em alguma cena é mencionado o “matriarcado” boliviano que ‘Carola’ parece simbolizar. Aliás, os “símbolos” visuais se insinuam de modo um tanto óbvio em tomadas de fora da casa nas quais vemos, em cada um desses takes (em movimento, sempre) cada um dos membros deste grupo olhando de modo inexpressivo por janelas de vidro - e também gradeadas –uma imagem nada sutil do “aprisionamento” destas pessoas a uma situação social de inércia, alienação e dominação de classes sociais. Já mais para o final do filme, vemos várias janelas com todos os personagens em sua habitação-“aquário”, que é cercada por um jardim de espessas folhagens.



Se a filha um pouco mais “rebelde” diz não temer sair da “Zona Sul” para morar com a namorada em bairros de periferia mais pobres (o homossexualismo como sinal de anti-convencionalismo?), seu irmão parece quase nunca sair de casa, passando o tempo fora das refeições em frequentes sessões de sexo (filmado) com a namorada, ou reunindo outros rapazes abonados como ele em bebedeiras no jardim - ainda que antes de sair para “um churrasco” ou para jogatinas, nas quais chega a perder um carro. Estas situações “externas” são apenas mencionadas, mas não são vistas.



Só vemos alguma seqüência se passar ao ar livre e fora dos territórios da casa quando ‘Wilson’, o faz-tudo explorado e conformado com as manifestações de “familiaridade” de sua patroa (que não lhe paga o salário há seis meses), a desobedece e sai de carro (um Mercedes antigo, o que dá margem a um guarda, de traços indígenas como ele exercer o preconceito de achar que o carro poderia ser roubado). Sem esclarecer antes, ele vai ao enterro de um filho em regiões nada “nobres” do país. O menino ‘Andrés’ esconde-se no banco de trás do carro, sendo o único membro da família que vemos em exteriores também fora do domínio da mansão. Talvez seja a mais bela seqüência do filme, em um cemitério de região montanhosa onde gente de traços indígenas participa de um provável ritual fúnebre. Em uma parede, durante o caminho, uma pichação em um muro permite que se leia muito fugazmente o nome de Evo Morales.



As intenções do filme são repetidas, portanto, em imagens pleonásticas sobre a alienação de uma elite que está ficando sem dinheiro, mas não perde a pose - ainda que às custas de calotes nos empregados, empréstimos vindos de comerciantes humildes, ou “negócios” dos quais a mãe participa ativamente, inclusive saindo para jantares e dando recepções, mas sem maiores esclarecimentos de que tipo são estes “negócios” (uma vez ela menciona “favores”, sugerindo vagamente troca/tráfico de influências).



Repetidos à exaustão também são os movimentos de câmera que gira em torno de seu eixo em todas as cenas de interiores repletos de espelhos que igualmente repetem as atividades dos personagens. Em alguns momentos esta opção de uso do movimento da câmera parece ter seu lugar, mais interessada em significar e descrever o ambiente (repleto de conchas nas cristaleiras da sala, por exemplo – outra alusão significativa?), mais do que centrando nos personagens que estão repetindo os mesmos assuntos em seus diálogos fúteis e vazios (aliás, às vezes bem ruins em sua construção e intenção “demonstrativa”).



Apesar das boas intenções, fotografia e alguns desempenhos (ainda que os personagens não permitam muita oportunidade aos atores, já que são por demais estereotipados, fazendo parte das intenções do filme que não tenham nenhum arco de ação ou de mudança ao longo da metragem), o filme se alonga e se perde de modo tautológico, sendo que a movimentação incessante da câmera acaba por incomodar mais do que cumprir sua suposta função na forma de exposição, a qual, pela banalização, acaba como virtuosisimo tão fútil quanto são os personagens “da elite”.



Todo cinéfilo conhece o famoso plano-sequência circular que encerrava Profissão: Repórter, de Antonioni (1975), mais do que mero virtuosismo, um significante pertinente para o significado que tinha a vida do personagem interpretado por Jack Nicholson (ou melhor, para a falta de significado de sua vida que era a premissa do enredo). Repetir esse recurso durante quase todos os 109 minutos de projeção de um filme acaba sendo um excesso impertinente.



Premiere Latina - (LEP) - 16 anos



SEX (24/9) 14:15 Espaço de Cinema 2 [EC202]



SEX (24/9) 19:00 Espaço de Cinema 2 [EC204]



SAB (25/9) 22:00 Est Barra Point 2 [BP210]



SEG (27/9) 13:20 Estação Ipanema 2 [IP216]



SEG (27/9) 17:40 Estação Ipanema 2 [IP218]



TER (28/9) 21:00 Cine Santa [ST004]



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ILUSÕES ÓTICAS (Ilusiones Ópticas)



de Cristián Jiménez , Chile/Portugaql/França, 2009 (105’)



Por Luiz Fernando Gallego



Neste filme chileno não deixa de haver boas idéias para expor o ridículo de certas situações humanas bem comuns na atualidade. Fala-se de sistemas de saúde privados que não atendem bem os pacientes (e que, como tantas empresas deficitárias, economizam sacrificando seus empregados em demissões disfarçadas com outros nomes); da ilusão de embelezamento através da febre de cirurgias estéticas que atenderiam ao “gosto atual”; de cirurgias de outra linhagem que visam recuperar a visão de cegos, mas com resultados apenas medianos – e aliás, atendendo ao título Ilusões óticas, o olhar equivocado também se faz presente na questão da monitorização de segurança dos shoppings através de câmeras que buscam clientes que roubam lojas (mesmo sem necessidade financeira).



Seria, portanto, um filme-painel de vertente irônica e humorística, ao contrário dos mosaicos cinematográficos, habitualmente dramáticos, trágicos ou melodramáticos. Mas várias boas piadas isoladas se perdem em um ritmo lentificado devido a cenas desnecessariamente alongadas e em uma distribuição irregular dos núcleos que compõem o pretendido mural – há personagens que são enfocados, despertam o interesse, tal como o “ex-cego” que enxerga mal mas... que desaparece por muito tempo durante o qual o roteiro se prende em outra situação eventualmente menos interessante, desequilibrando a evolução dos episódios, ainda que se cruzem superficialmente, como é comum neste formato.



Outra questão é que a ironia de muitas cenas, inclusive ironias visuais e de certo “nonsense”, tangenciam aspectos mordazes de humor negro, mas recua-se em desenvolvimentos mais banais, como no caso do segurança que se envolve com uma cleptomaníaca de nível sócio-econômico muito acima do dele. Também a questão religiosa entre filho e pai (sendo o filho mais ortodoxo, e o pai, um ateu) é explorada de forma menos leve, apesar do bom desempenho de Gregory Cohen como o pai. Da mesma forma, o rosto deprimido do “ex-cego” interpretado por Ivan Araya é ótimo, mas mal explorado.



Premiere Latina - (LEP) - 16 anos



QUI (30/9) 19:50 Est Barra Point 2 [BP234]



SAB (2/10) 14:00 Espaço de Cinema 1 [EC150]



SAB (2/10) 19:00 Espaço de Cinema 1 [EC152]



TER (5/10) 13:00 Estação Ipanema 1 [IP156]



TER (5/10) 17:20 Estação Ipanema 1 [IP158]



21:00 Cine Santa [ST016]



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