Críticas


FESTIVAL DO RIO 2010 – MOSTRA DOX

02.10.2010
Por Críticos.com.br
FESTIVAL DO RIO - MOSTRA DOX

CULTURAS DE RESISTÊNCIA Cultures of Resistance)



de Iara Lee. Estados Unidos, 2010. 73min.



por CARLOS ALBERTO MATTOS



A paz não se confunde com a resistência, mas é o resultado dela. A partir dessa constatação que serve como epígrafe, o filme da brasileira Iara Lee faz um inventário de formas de resistência à opressão e à deterioração social em países de diversos continentes. Nem todas ligadas estritamente à cultura, como é o caso dos guerrilheiros do Exército de Emancipação da Nigéria, ou dos índios caiapós que agridem um relações públicas da usina de Belo Monte.



Colocando essas cenas na parte inicial do filme, Iara inclui a violência como forma de resistência, mas indica sua superação pelas muitas ações de não-violência que se seguem. É assim que vemos a regeneração de soldados infantis na Libéria, capoeiristas da paz no Líbano, festival internacional de poesia em Medellin, revolução pacífica dos monges da Birmânia, grafiteiros e rappers “verdes” de Teerã, fuzis transformados em guitarras no Rio de Janeiro, e por aí afora.



Composto de módulos curtos, o filme privilegia a visão de painel horizontal, sem se aprofundar em nenhuma dessas manifestações, nem mesmo destacar as diferenças de contexto e atitude de cada uma. O objetivo é enfeixá-las numa ideia geral de cultura de resistência, ou “global public opinion”, poder em ascensão no mundo contemporâneo. Seria a globalização do bem, formada não por corporações, mas por grupos e redes que incorporam a heterogeneidade como traço, não como empecilho. Um filme como esse ajuda a evidenciar similaridades e fortalecer o sentimento coletivo. De resto, o material filmado e coletado por Iara Lee tem ótima qualidade técnica e ganha força no trabalho de edição.



Uma observação: o filme não inclui o material gravado por Iara no navio de ajuda humanitária atacado por Israel a caminho de Gaza em maio último.



Dox - (LEP) - 10 anos



SEX (1/10) 13:00 Est Barra Point 1 [BP136]



SAB (2/10) 17:00 C.C. Justiça Federal [JF020]



DOM (3/10) 20:00 Espaço de Cinema 3 [EC368]



SEG (4/10) 13:30 Estação Botafogo 3 [EB361]



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RESTREPO



de Tim Hetherington, Sebastian Junger. Estados Unidos, 2010. 93min.



por CARLOS ALBERTO MATTOS



Belisque-se de vez em quando durante a projeção de Restrepo. Belisque-se para lembrar que não está vendo um filme de ficção, desses que simulam o fragor dos combates e a tensão dos soldados. Os diretores (e cameramen) Tim Hetherington e Sebastian Junger estiveram “incorporados” (embedded) durante um ano com um jovem pelotão no Vale Korengal, o mais perigoso teatro de operações da guerra do Afeganistão, em 2007-2008. O que eles recolheram é, talvez, o retrato documental mais intimista de uma guerra jamais produzido pelo cinema.



Restrepo mostra de perto a matéria das guerras modernas. Estão lá os combates encarniçados, tiros zunindo rente aos microfones, a câmera dividida entre registrar os tiroteios e proteger-se das balas talibãs. Mas lá está também a rotina não menos desgastante da observação do inimigo, das miúdas investigações ao redor do posto avançado, das tentativas de persuasão, das difíceis relações com os afegãos num contexto de abismo cultural irremediável. As “shuras”, reuniões semanais dos soldados com os anciãos do Korengal, fornecem um insight inestimável desse lado menos espetacular do conflito, mas igualmente decisivo.



Lado a lado com os momentos de descontração e camaradagem dos jovens marines estão cenas de enorme dramaticidade, como o impacto imediato sobre o grupo da morte de um sargento. Ou a revelação do resultado de um bombardeio que deixou civis mortos em suas camas. Curtos depoimentos dos soldados durante e depois da ação comentam o dia-a-dia do pelotão e projetam uma reflexão isenta de proselitismos pacifistas ou discursos prontos sobre o Afeganistão. Restrepo recupera e examina a guerra como pura experiência moral e emocional vivida por garotos que poderiam ser nossos parentes e vizinhos.



Dox - (LEP) - 14 anos



TER (28/9) 19:30 Est Barra Point 1 [BP124]



QUA (29/9) 16:30 C.C. Justiça Federal [JF011]



QUI (30/9) 18:00 Espaço de Cinema 3 [EC346]



SEX (1/10) 15:30 Estação Botafogo 3 [EB344]



DOM (3/10) 20:15 Cine Glória [GL041]



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PASSAGEIROS DA LIBERDADE (Freedom Riders)



de Stanley Nelson. Estados Unidos da América, 2009. 113min.



por CARLOS ALBERTO MATTOS



Quem viu o magnífico Jonestown: Life and Death of the Peoples Temple e outros filmes de Stanley Nelson exibidos em sua retrospectiva no Festival do Rio de 2007 conhece bem a potência do mestre. Nelson trabalha prioritariamente para a TV pública americana, celeiro de bons documentários, embora marcados por uma linguagem convencional. O diferencial desse diretor é a imensa capacidade de engendrar narrativas magnetizantes a partir de depoimentos editados com maestria dramática e materiais de arquivo ricamente pesquisados.



A maioria de seus docs se refere à cultura e à política dos afro-americanos. Para recontar a história dos Freedom Riders, grupos de ativistas birraciais que desafiaram as leis da segregação no sul dos EUA em 1961, Nelson recorre a um impressionante acervo de filmes profissionais e amadores, fotos e músicas capazes de recriar os eventos quase passo a passo. Os Freedom Riders eram brancos e negros que se uniam para viajar juntos em ônibus interestaduais, sendo recebidos a pauladas e explosões por segregacionaistas brancos do Alabama e do Mississippi. Ao primeiro grupo seguiu-se um segundo de estudantes e um terceiro de mais de 400 voluntários que acorreram de todo o país para dividir a prisão com os que já lá estavam.



Esse episódio épico do Movimento dos Direitos Civis americanos não escapa ao olho crítico de Stanley Nelson. Sobram farpas de omissão para John Kennedy, de indecisão para Bob Kennedy e até de corpo mole para Martin Luther King, que só acompanhava os Riders até a porta dos ônibus. Entre a ação minuciosamente evocada e as injunções políticas amplamente esquadrinhadas, Passageiros da Liberdade pode parecer um pouco longo e excessivo em detalhes. Mas a competência de todos os elementos é uma aula de evocação histórica e inspiração de cidadania através do documentário.



Dox - (LEP) - 12 anos



SAB (25/9) 19:30 C.C. Justiça Federal [JF005]



DOM (26/9) 20:00 Cine Glória [GL012]



QUA (29/9) 13:30 Estação Botafogo 3 [EB331]



QUA (29/9) 17:30 Estação Botafogo 3 [EB333]



QUI (30/9) 13:00 Est Barra Point 1 [BP131]



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BUDRUS



de Julia Bacha. Estados Unidos, 2010. 78min.



por CARLOS ALBERTO MATTOS



Na pequena aldeia de Budrus, perto da fronteira entre Israel e a Cisjordânia, pode-se dizer que uma utopia se concretizou. A comunidade palestina, através da resistência pacífica, obrigou Israel a afastar o Muro de Segurança e preservar a integridade de seu território. O caráter “utópico” está na maneira como isso aconteceu: mediante a união dos líderes locais do Hamas e da Fatah, mais a participação de israelenses progressistas e ativistas internacionais.



Essa convergência de consciências, única forma de propiciar harmonia à região, aconteceu em Budrus e se propagou a outras localidades dos territórios ocupados. A diretora brasileira Julia Bacha, integrante da organização internacional Just Vision, testemunhou os acontecimentos e integrou ao seu filme materiais gravados por diversos ativistas. Algumas cenas de refregas entre soldados e resistentes são de tirar o fôlego. Budrus tem um roteiro exemplar, que articula muito bem as ações lideradas por Ayed Morrar e as reflexões de personagens envolvidos nos dois lados do conflito.



Com lançamento nos EUA previsto para 8 de outubro e já tendo passado pelo É Tudo Verdade deste ano, Budrus vem se consagrando como um dos docs mais premiados internacionalmente na temporada. Não merece menos. É um filme que escapa ao sensacionalismo e ao sentimentalismo comumente encontrados nesse gênero de documentário. Mas nem por isso deixa de ser épico.



Dox - (LEP) - 12 anos



QUA (29/9) 15:30 Est Vivo Gávea 4 [GV427]



QUA (29/9) 22:00 Est Vivo Gávea 4 [GV430]



QUI (30/9) 16:30 C.C. Justiça Federal [JF014]



SEX (1/10) 17:45 Espaço de Cinema 3 [EC353]



SAB (2/10) 19:30 Estação Botafogo 3 [EB352]

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