Críticas


FESTIVAL DO RIO 2010 – MOSTRA EXPECTATIVA

De: VÁRIOS DIRETORES
Com: VÁRIOS INTÉRPRETES
05.10.2010
Por Críticos.com.br
MOSTRA EXPECTATIVA - FESTIVAL DO RIO 2010

ADRIENN PÁL (Adrienn Pál ), de Ágnes Kocsis.



Hungria / Áustria / França / Holanda,2010. 136min. Prêmio da FIPRESCI na mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes 2010.



por Luiz Fernando Gallego



As premiações nos mais famosos festivais de cinema vem surpreendendo desavoravelmente grande parte do público do nosso Festival do Rio 2010, tanto pelo Leão de Ouro em Veneza para Somewhere, de Sofia Coppola, como o destaque dado em Cannes à estreia na direção do ator Mathieu Amalric em Turnê. Já o prêmio da crítica no mesmo Festival para Adrienn Pál, entretanto, pode não decepcionar, mesmo que não seja um filme excepcional. Muitas vezes a crítica destaca obras mais experimentais formalmente, o que não é o caso, tendo sido provavelmente o aspecto humano e a curiosidade deste roteiro filmado de modo tradicional que o levou à premiação.



Para quem já viu na mostra que se encerra amanhã alguns filmes muito ruins que tentaram lidar com o pertinente tema de “vidas vazias” na contemporaneidade, o início deste filme húngaro pode deixar o espectador desconfiado. Afinal, em Somewhere, o ator tenta preencher seu vazio com a fama; no lamentável mexicano Ano Bissexto (outra premiação chocante, o Caméra d’Or também em Cannes 2010) o vazio da personagem é substituído pela perversão e escatologia; e no caricatural O Olhar Invisível, pela repressão sexual que é vista como análoga à repressão política da ditadura militar.



Em Adrienn Pál, o vazio existencial e afetivo da enfermeira e grande obesa Piroska é preenchido pela gula e, paradoxalmente, pelo esquecimento de seu passado – esquecimento que vamos descobrir que existia à medida em que ela passa a tentar resgatá-lo a partir de um incidente prosaico. Uma mera coincidência de nomes mobiliza suas emoções aplainadas no dia-a-dia dos cuidados com pacientes terminais: ela suspeita que o nome de uma nova paciente grave e que dá título ao filme seria o de uma antiga coleguinha de curso primário - que teria sido sua grande amiga, mas com quem perdeu totalmente o contacto.



Mas é apenas o mesmo nome, um significante que escorrega nas pesquisas que ela faz, podendo ter múltiplos significados: professora idosa, outros colegas, mães de colegas, cada um dá uma versão diferente do que a enfermeira se lembra sobre sua amiga Adrienn e até sobre ela mesma, sua conduta, temperamento e talentos infantis, tudo isso modificado e soterreado sob a grossa camada de gordura que deixa seu rosto apático, sem modulação, e seu corpo deformado.



A curiosidade do espectador se mantém em busca de uma verdade sobre a procurada e a que procura, tal como em uma versão (muito) menor e (bem mais) prosaica como na famosa busca sobre quem era mesmo Charles Foster Kane. Não vale comparar, claro. E o ponto de partida e grande parte do desenvolvimento são melhores do que o desfecho desta procura e, por conseqüência, o final do filme pode não atender a todas as expectativas criadas ao longo de suas duas horas e quinze (que não se fazem pesar), mas mesmo assim, o filme se sustenta satisfatoriamente.



Há problemas nos detalhes periféricos do roteiro como haver murmúrios sobre as mortes dos pacientes graves (seria uma forma de eutanásia, desconfiando-se da enfermeira protagonista?) e na relação conjugal entre a enfermeira e seu marido que trabalha com inseminação artificial de gado (um contraste óbvio com ela que trabalha com a agonia e com a morte), além do “diorama” (maquete) de cidadezinha com trens elétricos que é o hobby dele.



Mesmo assim, o aspecto de um nome apenas poder provocar toda uma reação, ainda que obsessiva, de uma personagem que até então era desmotivada, desinteressada e desinteressante pode interessar mais o espectador do que outras decepções deste festival.



Expectativa 2010 - (LEP) - 14 anos



TER (5/10) 15:45 Espaço de Cinema 3 [EC380]



QUA (6/10) 19:00 Est Barra Point 2 [BP264]



QUI (7/10) 15:50 Est Vivo Gávea 1 [GV167]



QUI (7/10) 22:30 Est Vivo Gávea 1 [GV170]



24:00 Espaço de Cinema



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O ERRANTE (Ha’Meshotet)



de Avishai Sivan.



Israel, 2010. 86min.



por Luiz Fernando Gallego



Não há dúvida de que Avishai Sivan, diretor e roteirista do filme israelense O Errante, exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2010, tem enormes questões com a ortodoxia religiosa e com a hipocrisia que frequentemente está associada a radicalizações moralistas. Mas sua raiva não resultou em um filme minimamente interessante como cinema.



Ele segue a cartilha da moda de planos fixos e longos, o que geralmente afasta a maioria dos espectadores mais interessados em ação envolvente. Mas, no caso, o formato poderia ser coerente com a intenção de buscar o efeito de distanciamento, e também na demonstração do imobilismo existencial de ‘Isaac’ (imobilismo contrastante com a aparência manifesta de ser um jovem que anda sem destino durante todo o dia, como diz o título) - e de seus pais convertidos à ortodoxia.



A falta de intimidade, familiaridade, afeto e comunicação entre os personagens incomoda bem mais do que a narrativa cinematográfica “estática”. Pessoas comentavam na plateia: “que filme chato”, mas talvez o maior incômodo seja o de testemunharmos a amarga melancolia daquelas vidas sem abertura, sem oxigênio. Sob este ponto de vista, o filme poderia estar cumprindo os objetivos do cineasta estreante: incomodar, denunciar, até mesmo agredir.



Mas na segunda metade de sua curta (parecendo longa) duração de menos de hora e meia, o enredo pesa a mão, explicitando ainda mais o que pretende denunciar.



A questão sexual perpassa todo o filme através do seu oposto, a repressão e a negação; além de aludir a temas como infertilidade, castidade, prostituição, etc. O resultado acaba sendo bastante indigesto, não se podendo lamentar o grande número de pessoas que abandonaram a sala antes do filme acabar.



Expectativa 2010 - (LEP) - 14 anos



DOM (26/9) 12:00 Estação Botafogo 1 [EB115]



DOM (26/9) 20:15 Estação Botafogo 1 [EB119]



QUI (30/9) 13:20 Est Vivo Gávea 4 [GV431]



QUI (30/9) 19:50 Est Vivo Gávea 4 [GV434]



SEX (1/10) 19:50 Est Barra Point 2 [BP239]

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