Críticas


MEU PAÍS

De: ANDRÉ RISTUM
Com: RODRIGO SANTORO, PAULO JOSÉ, CAUÃ REYMOND
07.10.2011
Por Leonardo Luiz Ferreira
ESTETICISMO SEM DRAMATURGIA

Os primeiros planos de Meu País, de André Ristum, já delineiam a proposta estética do projeto, que depois vai se revelar como um dos seus maiores problemas. A busca é pela textura da imagem com realce da granulação em cenas rápidas que focam fotografias. O viés publicitário da fotografia será responsável pelo distanciamento da narrativa ao criar uma assepsia em cada rosto dos atores, já apagados em demasia por interpretações apáticas.



O filme é o caso clássico de que uma boa equipe de produção não gera uma obra orgânica e que pulsa na tela. Tudo o que Ristum planejou no roteiro, que tem uma abordagem pessoal, não é transposto para a tela com sentimento. É como se ele tivesse estudado a fundo dramas familiares do cinema europeu e enxergasse apenas a superfície das relações humanas ali formadas. Ao banhar a sua narrativa de impessoalidade e distância, o que nesse caso não pode ser confundido com problemas de afeto, o cineasta busca passar expressividade na criação de climas por intermédio do desenho de som e trilha sonora, mas essas escolhas resultam infrutíferas à medida que a história interessa cada vez menos ao espectador.



O roteiro não consegue dimensionar os personagens e, com isso, os atores, que não desempenham bem os seus papeis, são somente modelos cênicos sem vida no centro do quadro cinematográfico. A preocupação é sempre estilística da entrada de luz, o posicionamento da câmera e do figurino e maquiagem do elenco, porém nunca parece ser questão a dramaturgia. Nenhum do trio principal de atores, que têm boa carreira cinematográfica, encontra afinidade entre si, e os diálogos parecem que não têm contraplano em cena.



Meu País tem em seu cerne uma família em fragmentos que busca se reconectar após a morte do patriarca. Ao largo da trama principal, há uma manobra no script para provocar a união: uma chantagem solta e descabida que um dos irmãos recebe por dívidas em jogo. É só mais um elemento de um roteiro esquemático que não consegue ser transformado em cinema por André Ristum.

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