Críticas


ÁRVORE DO AMOR, A

De: ZHANG YIMOU
21.10.2011
Por Nelson Hoineff
TESOURO DA JUVENTUDE

Desde o início dos anos 90, com filmes como Lanternas Vermelhas, Zhang Yimou tornou-se um ícone do novo cinema chinês e logo passou a encantar as platéias ocidentais. Yimou é dono de uma técnica perfeita, filma bem, é cuidadoso nos mínimos detalhes. Em seus filmes, a fotografia é uma locomotiva que, aos olhos do grande público, puxa o enredo, as interpretações, e tudo o mais que seja capaz de lhe comover.



Os primeiros filmes de Yimou exploravam a complexidade da herança cultural chinesa e, mais recentemente, o lado negro de pequenas comunidades, onde a Revolução Cultural servia de pano de fundo a ações que frequentemente discutiam o sistema. Com o passar do tempo, o pano de fundo se tornou mais tênue. A visão crítica da política chinesa, particularmente nos anos de Mao, cedeu, luga, r, ao crescimento d, e, d, ramas in, dividuais que podiam ou não estar ocorrendo ante aquele cenário. O cinema de Zhang Yimou permaneceu belo, mas as grandes questões ficaram cada vez mais diluídas.



Poucos filmes poderiam sintetizar, isso tão bem como A árvore do amor. O pano de fundo continua sendo a Revolução de Mao. No final dos anos 60, inicio dos 70, uma adolescente, filha de um opositor do regime preso, é enviada para um período de “reeducação” no campo. Lá, ela se apaixona por um rapaz que é filho de um oficial maoísta. Ambos se expõem para viver um grande amor; um amor que passa pelo rito de iniciação, provações e desconfianças. O jovem casal é tão feliz quanto ingênuo – e, para emoldurar tanta felicidade, nada é melhor do que uma bela paisagem dominada por uma árvore que, segundo a lenda, frutificou sobre o sangue dos heróis da revolução.



Sun e Jing são os romeus e julietas num cenário onde os Capuletos são as forças revolucionárias e, os Montecchio, a sua resistência. Sun adoece – e, nas imensas planícies em que vive, a questão é como Jing poderá sobreviver à hipótese de perdê-lo.



Melodrama bem construído e, como sempre, lindamente fotografado, A árvore do amor é o que promete; nada mais do que isso Uma pequena história de amor, com os exageros de condução emocional que não deveriam fazer parte do cardápio de um grande diretor, mas que o são num ambiente de realização de filmes dessa natureza.



Filmes exatamente como A árvore do amor, capazes de interessar a um público que busque jovens bonitos, paisagens bem fotografadas, lágrimas e, é claro, uma terrível doença a separar os protagonistas de tanta felicidade, mas unir suas famílias, cuja guerra ideológica é irrelevante se confrontada com a grandeza do amor verdadeiro.

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