Críticas


AMORES IMAGINÁRIOS

De: XAVIER DOLAN
Com: XAVIER DOLAN, MONIA CHOKRI, NIELS SCHNEIDER
21.11.2011
Por Daniel Schenker
ALGUMA SENSIBILIDADE E MUITAS CITAÇÕES

O canadense Xavier Dolan aborda com sensibilidade o tema da rejeição amorosa através da história de dois amigos, Francis (interpretado pelo próprio Dolan) e Marie (Monia Chokri), que partilham do mesmo objeto de desejo: o também jovem e belo Nicolas (Niels Schneider), que se comporta de maneira algo nebulosa e ambígua nas demonstrações de afeto. O vínculo de ambos com Nicolas parece se intensificar, mas não a ponto de ultrapassar o plano do relacionamento platônico. A disputa abala a amizade dos dois até serem confrontados com a evidência de que Nicolas é um sedutor de plantão.



Em Amores Imaginários , o diretor de Eu Matei Minha Mãe entrelaça a história do trio com depoimentos encenados. O recurso não resulta especialmente satisfatório, mas serve ao intuito de Dolan: mostrar que a sexualidade não deve ser confinada em categorizações estabelecidas de antemão. Filma cenas de sexo com delicadeza e certo excesso na estilização, com notado destaque para cores intensas. E investe em diálogos repletos de referências – a filmes emblemáticos ( My Fair Lady , Blade Runner ), atrizes que marcaram época (Audrey Hepburn é mencionada com frequência), dramaturgos (Alfred de Musset, Bernard-Marie Koltès) e escritores (George Sand). A trilha sonora, de Bach à canção Bang Bang , se impõe como atrativo.



Nem sempre as informações acerca dos personagens são totalmente críveis. Se Francis e Marie surgem na tela como figuras um tanto fúteis, Nicolas não parece muito consistente – apesar de afirmar que passa noites lendo Koltès. Eventuais restrições não impediram que o filme fosse premiado com o Regards Jeunes no Festival de Cannes. Louis Garrel faz meteórica participação como um tipo circunstancial que mostra que Francis e Marie, apesar de todos os percalços sofridos, estão programados para repetir o mesmo vínculo que travaram com Nicolas.

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