Críticas


ROMÂNTICOS ANÔNIMOS

De: JEAN-PIERRE AMÉRIS
Com: ISABELLE CARRÉ, BENOÎT POELVOORDE
02.01.2012
Por Daniel Schenker
ROMANCE ARTESANAL

Românticos Anônimos é uma comédia sobre dois tímidos ao extremo que se apaixonam. O diretor Jean-Pierre Améris procura dotar o filme de atrativos próprios por meio da construção de Jean-René e Angélique, personagens repletos de tiques decorrentes da dificuldade de estabelecer mínimo convívio social (que ganham composições acertadas dos atores Isabelle Carré e Benoît Poelvoorde). Também busca diferencial ao chamar atenção para a importância de se preservar a tradição, cada vez menos valorizada em meio às novidades de ocasião que surgem todos os dias, através de Jean-René, dono de uma fábrica de chocolates artesanais à beira da falência.



O chocolate da fábrica de Jean-René é de boa qualidade, mas não atrai mais os clientes devido à falta de renovação numa época em que a embalagem conta mais do que o produto em si. Mas Angélique sabe como ninguém fazer chocolates, apesar de não suportar levar o mérito devido à timidez. Uma oportunidade de emprego a leva a trabalhar para Jean-René, de início como representante comercial e depois aproveitando seus dotes culinários. Para se manter no anonimato, Angélique se vale, de maneira ingênua, de um aparato multimídia. Parece ser uma maneira de Jean-Pierre Améris chamar atenção para certo deslumbramento com a tecnologia e fortalecer a sua celebração do artesanal.



Os protagonistas logo se interessam um pelo outro. Para vencer suas barreiras, contam com a ajuda de um psicólogo (no caso de Jean-René) e de uma terapia em grupo na qual cada integrante procura ultrapassar diferentes limitações (no de Angélique). Os funcionários da fábrica de Jean-René também acompanham os estágios da aventura amorosa. Todas essas figuras secundárias formam uma espécie de plateia que, de acordo com as convenções da comédia romântica (e de boa parte do filmes de entretenimento), alertam os personagens principais para o risco de desperdiçarem a grande chance de suas vidas.



Selecionado para o Festival de Tribeca, Românticos Anônimos traz boas sequências de humor graças à dificuldade de Jean-René e Angélique em agirem com um mínimo de naturalidade – a exemplo da divertida passagem no restaurante, quando ensaiam um jantar a dois. Vez por outra, porém, o desenrolar soa pouco verossímil, a julgar pela rápida aproximação entre personagens não só bastante tímidos como obrigados a lidar com as costumeiras barreiras da relação patrão-empregado, que, pelo menos no caso deles, deveriam se constituir como uma considerável dificuldade a mais.



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