Críticas


PINA

De: WIN WENDERS
Com: PINA BAUSCH e membros da sua companhia
24.03.2012
Por Nelson Hoineff
WENDERS SOBRE PINA BAUSCH: PARA QUE SERVE O 3D

Texto publicado anteriormente nas matérias sobre o Festival de Berlim 2011



Wim Wenders mostrou em Berlim para que serve o 3D. Pina, seu filme sobre a obra de Pina Bausch, teve sua premiere mundial no dia 13 de fevereiro, no mesmo dia em que o festival exibia outro filme em 3D de outro grande cineasta alemao: The Cave of Forgotten Dreams, de Werner Herzog.



Nao consigo lembrar de produção anterior tão bem sucedida em 3D, nem mesmo – e muito menos – Avatar.



Pina é uma obra modelada a amor e entusiasmo - não a efeitos especiais. Os efeitos sao as impressionantes criações de Pina, aqui retratadas com o mesmo rigor e perfeição com que Pina trabalhava.



Pina Bausch morreu de câncer há relativamente pouco tempo. Desde os anos 1970, propunha uma coreografia renovadora, onde as experiencias pessoais de seus dancarinos eram parte integrante da criação. Arquitetou pelo menos uma coreografia – “Águas” – decorrente de uma viagem ao Brasil. Trabalhou com cineastas como Fellini (E la nave va) e Almodovar (Fale com ela), mas a grandeza de seu trabalho se fixava nos palcos. Pina Bausch era irredutivel a qualquer outra forma de expressao.



Wenders recria as coreografias de Pina Bausch com a sua companhia – e deixa os dançarinos se expressarem sobre ela. Na estrutura, é um documentário, ou melhor, um musical, de incrível simplicidade. Na prática, é uma obra tao complexa quanto as extraordinárias coreografias sobre as quais discorre. Um foco na maestria individual de cada artista e uma homenagem ao que eles sao capazes de fazer em conjunto.



Desde Buena Vista Social Club, há mais de dez anos, Wenders nao fazia um filme tao bom. A vantagem de Pina sobre Buena Vista está na extensao dos limites do trabalho que está sendo retratado. Wenders é emocionantemente humilde em relação a isso. É como se, como diretor, estivesse ausente do seu próprio filme, como se Pina Bausch, e nao ele, estivesse atrás das câmeras. É isso que permite que Pina, o filme, seja capaz de fazer o que parecia impossivel: trazer ao cinema a grandeza da obra de Pina Bausch.

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