Críticas


VALE DOS ESQUECIDOS

De: MARIA RADUAN
27.04.2012
Por Carlos Alberto Mattos
TERRAS DA DESORDEM

Sem-terras, posseiros, grileiros, fazendeiros e índios se ameaçam reciprocamente numa região de Mato Grosso. Suiá-Missú era terra xavante antes de ser comprada por um grande latifundiário. Depois foi vendida a distintos fazendeiros e ocupada por posseiros. Os índios, transferidos para uma Missão com a conivência de padres, voltaram na marra anos mais tarde (aqueles que sobreviveram às doenças) e hoje reivindicam o direito de nação. O clima é de guerra iminente.



Vale dos Esquecidos faz um mapeamento das razões e das armas de cada um. O fazendeiro americano John Carter, por exemplo, vê a região como uma fronteira de faroeste, e não hesita, mesmo diante da câmera, em atear fogo nas choças de posseiros que localiza em suas terras. O cacique xavante agita sua borduna e explica que sua cultura não reconhece esse negócio de diálogo. Políticos e posseiros admitem que seus títulos de posse são ilegais, mas duvidam que alguém os tire dali. Passadas de mão em mão há mais de 50 anos, essas terras da desordem são um microcosmo de várias outras pelo Brasil afora.



Maria Raduan conta com dois profissionais de peso em sua equipe: o tarimbado fotógrafo-aventureiro Sylvestre Campe, responsável pelas magníficas imagens, e a montadora Jordana Berg, que articula da melhor maneira possível os vários temas e focos em questão. Algumas pontas ficam soltas, como o problema das queimadas e a responsabilidade da igreja na história. Mas como painel horizontal de um conflito complexo, o doc cumpre seu papel com muita propriedade.

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