Críticas


007 – OPERAÇÃO SKYFALL

De: SAM MENDES
Com: DANIEL CRAIG, JAVIER BARDEM, JUDI DENCH
05.11.2012
Por Daniel Schenker
UMA AVENTURA QUE RESPIRA PASSADO

“Não conhecemos mais nossos inimigos. Eles estão nas sombras. Não são mais países, mas indivíduos. O mundo se tornou opaco”, diagnostica a seca, inflexível e implacável M (Judi Dench) em 007 – Operação Skyfall , 23ª aventura centrada no agente James Bond. Ela sabe do que está falando. Numa fase delicada de sua gestão, após tomar uma decisão radical que quase resulta na morte de Bond (Daniel Craig), M testemunha o atentado ao prédio do serviço secreto de inteligência britânico e é confrontada com uma figura de priscas eras: o ex-agente Raoul Silva (Javier Bardem), que retorna de maneira contundente para cobrar satisfações.



Skyfall é um filme que respira passado. Bardem e M são acusados de insistirem em métodos obsoletos. Quando fogem de seus algozes, viajam num carro antigo rumo a uma propriedade também antiga. “Vamos voltar no tempo”, diz Bond. As estratégias parecem continuar valendo mais do que armamentos de ponta. Na hora de se defender, Kincade (Albert Finney) não hesita em optar pela faca. E a nostalgia irrompe na trilha sonora, a exemplo da inclusão da canção Boum! , de Charles Trenet.



O clima de revisionismo ainda é realçado diante da necessidade de Bond de repensar seu vínculo com M. De qualquer forma, em Skyfall o público se depara com o cardápio de sempre: perseguições por ruas superpovoadas, telhados e teto de trem, luta em lago congelado. Os embates atravessam fronteiras num plano de viagem que, além da Inglaterra, inclui Escócia, Turquia e China. Distante dos voos artísticos alcançados em filmes como Beleza Americana e em produções teatrais, Sam Mendes conduz tudo com competência algo impessoal. Entretanto, o que se impõe como problema maior é a atuação robótica de Craig, que fica bastante evidenciada no contraponto com o vilão sarcástico e malicioso de Bardem. Há, porém, atrativos, como a fotografia de Roger Deakins, que aproveita bem a locação de um prédio espelhado.



Crítica publicada no jornal O Globo em 26 de outubro de 2012



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