Críticas


TUDO QUE EU AMO

De: JACEK BORCUCH
Com: MATEUSZ KOSCIUKIEWICZ, OLGA FRYCZ, JAKUB GIERSZAL
08.12.2012
Por Marcelo Janot
TESTOSTERONA PUNK

"Jestes bogiem", o filme mais badalado do recente cinema polonês, com direito a lançamento simultâneo em 20 salas do circuito comercial do Reino Unido, é uma dramatização da trajetória de uma popular banda de hip hop local. Veio se juntar a "Tudo que eu amo" ("Wszystko, co kocham"), lançado em 2010 e que agora chega aos cinemas brasileiros mostrando a tendência de uma produção polaca menos sisuda do que nos habituamos a ver.



"Tudo que eu amo" também faz da música o apelo para conquistar um público jovem com um tema que Hollywood já trabalhou de montão: o sonho adolescente de formar uma banda e fazer sucesso com as meninas. O filme é por vezes ingênuo demais e não escapa das armadilhas dos clichês de filmes de juventude (a perda da virgindade com a vizinha gostosa, o amor pela colega de escola, a excitação com o show da banda, etc.). O diferencial - e principal atrativo - é o contexto histórico e político em que a história se situa, em 1981, com a ascensão do movimento sindical Solidariedade trazendo a promessa de ares de liberdade ao severo regime comunista, e tendo por outro lado o fantasma de uma invasão soviética para colocar ordem na casa. As relações interpessoais são difíceis, as emoções são contidas, as conversas quase sempre acontecem a portas fechadas, e isso é tratado de forma bem interessante pelo diretor Jacek Borcuch.



Há também a curiosidade em ver o punk rock romper a barreira da cortina de ferro comunista em plenos anos 80. O som da banda, cujo repertório foi pinçado de clássicos do punk polonês da época, é bom, embora o cantor e protagonista Mateusz Kosciukiewicz esteja mais com pinta de bom moço do A-Ha do que de punk de verdade. O tema musical do casal é utilizado de maneira exagerada, e as cenas românticas, com exceção de uma boa cena de sexo na praia, são clichês. Apesar do contexto político, os personagens em sua essência são adolescentes: no fundo querem mesmo é "zoar" e descobrir a vida - a atitude política ainda é algo em segundo plano, mesmo naquele período histórico.

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