Críticas


DURVAL DISCOS

De: ANNA MUYLAERT
Com: ARY FRANÇA, ETTY FRASER, LETICIA SABATELLA, MARISA ORTH
19.04.2003
Por Marcelo Janot
O LADO A É ÓTIMO, MAS O B TÁ ARRANHADO

“Tudo na vida tem um lado A e um lado B”, eis o mote publicitário de Durval Discos. Assim como um velho disco de vinil, o filme da diretora estreante em longas Anna Muylaert também tem um lado A e um lado B. O roteiro muda radicalmente de estrutura exatamente na metade do filme, através de um dado novo na trama. Nessa “troca de lado”, Durval Discos acaba padecendo do mesmo problema que a maioria dos saudosos LPs: o lado A é muito melhor do que o lado B.



O filme tinha tudo pra ser uma das comédias mais saborosas da nova safra do cinema nacional, que nos tem oferecido ótimos exemplares de cinema sério e engajado e pouca coisa realmente boa na linha de comédias comportamentais. Poderia se esperar muito de uma história ambientada numa loja de vinis comandada por um sujeito que se recusa a aceitar a soberania dos CDs e vive no andar de cima da loja com a mãe onipresente. A trilha sonora (leia a crítica), com pérolas da MPB setentista, é extraordinária, os atores que interpretam Durval e sua mãe (Ary França e Etty Fraser) têm um entrosamento perfeito e excelente timing cômico, as pequenas participações de convidados como Rita Lee e André Abujamra são divertidíssimas, mas...todas essas qualidades desaparecem na virada do lado A pro lado B do filme.



As deliciosas canções de Jorge Ben, Tim Maia e Gilberto Gil dão lugar a um score instrumental um tanto tenso, para acompanhar a trama que ganha, ao mesmo tempo, contornos policiais e de comédia surrealista. Não há mais pontas-surpresa e até mesmo os protagonistas parecem perder o rumo, já que a interpretação de Etty Fraser troca o humor pela histeria. Como a trama policial também não utiliza bem os elementos do gênero, o filme se torna maçante e repetitivo como um disco arranhado, ofuscando inclusive o bom trabalho de direção de Anna Muylaert no que diz respeito ao desafio de ser criativa filmando num espaço fechado, pequeno e com poucos recursos cenográficos.







# DURVAL DISCOS

Brasil, 2002

Direção e Roteiro: ANNA MUYLAERT

Produção: SARA SILVEIRA

Fotografia: JACOB SOLITRENIK

Montagem: VÂNIA DEBS

Música original: ANDRÉ ABUJAMRA

Produção musical: PENA SCHMIDT

Elenco: ARY FRANÇA, ETTY FRASER, LETICIA SABATELLA, MARISA ORTH, ANDRÉ ABUJAMRA, RITA LEE, THEO WERNECK

Duração: 90 min.

site: www.durvaldiscos.com.br



LEIA A CRÍTICA DA TRILHA SONORA DO FILME

Voltar
Compartilhe
Deixe seu comentário