Críticas


LARA CROFT TOMB RAIDER: A ORIGEM DA VIDA

De: JAN DE BONT
Com: ANGELINA JOLIE, GERALD BUTLER, CIARAN HINDS
17.08.2003
Por João Mattos
AINDA INSATISFATÓRIO

O primeiro Lara Croft Tomb Raider era bastante defeituoso, mas tinha lá sua dose de interesse, por trazer uma bela atuação (levando em conta as limitações do papel) da excelente Angelina Jolie em seu primeiro papel num sucesso de massa, logo como a idolatrada arqueóloga inglesa Lara Croft, surgida num videogame e adorada por milhões de pessoas mundo afora. Já esta continuação, Lara Croft Tomb Raider: A Origem da Vida, segue algumas linhas gerais do primeiro filme, e é mais bem resolvido enquanto cinema, o que não significa muito.



A trama segue o estilo do primeiro filme: uma base de verniz erudito, trazendo Lara atrás de um artefato que tem um fundo histórico famoso, no caso, a Caixa de Pandora (que conteria os males do mundo), e um desenvolvimento meio atabalhoado. Também em consonância com a parte 1, esta continuação também tem um vilão muito do chulé, desta vez feito igualmente sem charme nenhum por Ciaran Hinds (A Soma de Todos os Medos, Estrada para a Perdição).



Se a primeira parte possuía um caráter imagético bizarro, uma histeria mal concatenada (tal como nos piores filmes de aventura atual), esta parte dois é favorecida pela direção do holandês Jan de Bont (dos dois Velocidade Máxima e de Twister), ex-diretor de fotografia que foi para os EUA junto com o então parceiro, o cineasta Paul Verhoeven. Bem testado como diretor e fotógrafo em fitas de aventura/ação, e com um bom senso de composição espacial, Bont consegue organizar melhor os planos, faz uma direção mais límpida, às vezes consegue bons resultados (como na cena do salto de pará-quedas), mas se desenha bem a narrativa, parece pouco entusiasmado com a trama que tem nas mãos.



Resultado: A Origem da Vida não consegue dar o salto de filminho comum para uma aventura que realmente valha a pena. Pior, cada vez mais dá para perceber como Lara Croft é uma personagem bem pouco cativante, em termos de arqueologia não dando nem um começo de comparação com Indiana Jones (e as características da profissão de Lara são pouco enfocadas), e como heroína, fracota quando comparada com a lembrança, por exemplo, da humanidade da marcante Tenente Ripley da série Aliens. E concretizando de vez essa sensação, infelizmente há o desempenho dessa vez frouxo de Angelina Jolie, a não ser na cena-chave perto do fim (reparem na força dos olhos dela), mas aí já é tarde demais.



Os que reclamam da falta ou até do excesso de mensagens subliminares geo-políticas em filmes de aventura/ação de Hollywood, podem ficar satisfeitos com o fim do filme, com o destino reservado à Caixa de Pandora, que traz uma mensagem politicamente correta inofensiva.







# LARA CROFT TOMB RAIDER: A ORIGEM DA VIDA (LARA CROFT TOMB RAIDER: THE CRADLE OF LIFE)

EUA, 2003

Direção: JAN DE BONT

Roteiro: DEAN GEORGARIS, STEVEN E. SOUZA, JAMES V. HART.

Produção: SHELLY CLIPARD, HOLLY GOLINE

Fotografia: DAVID TATERSALL

Montagem: MICHAEL KHAN

Música: ALAN SILVESTRI

Elenco: ANGELINA JOLIE, GERALD BUTLER, CIARAN HINDS, NOAH TAYLOR, DJIMON HOUNSOU

Duração: 130 min

site: www.tombraidermovie.com/

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