Críticas


CAMPEÃO

De: RUSSEL MULCAHY
Com: GEOFFREY RUSH, JUDY DAVIS, JESSE SPENCER, TIM DRAX
08.09.2003
Por Maria Silvia Camargo
NADANDO CONTRA A CORRENTE

Quem se deixa levar pelo título em português ou pela sinopse apresentada à imprensa deste filme de Russel Mulcahy que em inglês se chama Swimming Upstream (na tradução literal: Nadando Contra A Corrente) não encontra motivo para ir ao cinema. Mas Campeão supera a mediocridade do apelo piegas e de um enredo manjado. Conta a história dejá vu de “um jovem que supera tudo”, alternando o brilho e o movimento do esporte com cenas íntimas – e pungentes – do atleta em família. Afinado com o que de melhor têm se feito no cinema de seu país natal, a Austrália – apesar de possuir um currículo repleto de bobagens hollywoodianas – o diretor Russel Mulcahy faz das lindas cenas de piscina e natação um artesanato. E, para constrastar, afunda na lama da família com a mesma profundidade.



Baseado na biografia de um campeão australiano de natação dos anos 50, Tony Fingleton, o filme é, na verdade, um mergulho nas relações familiares patriarcais - de nada saudosa memória. Os Fingletons eram uma família pobre de Brisbane, Austrália, onde mãe (Judy Davis) e cinco filhos viviam ao sabor dos humores do pai (Geoffrey Rush). Maltratado na infância pela mãe prostituta, papai Fingleton descontava na família e na bebida tudo o que a vida não lhe deu. Obcecado pelo filho mais velho e pelo número três, John, era cruel com o segundo rebento, Tony (Jesse Spencer). Nenhuma lógica neste comportamento: há pais que realmente preferem um filho e desprezam os outros. O chefe da família achava ridículo Tony gostar de tocar piano e detestar box e futebol, por exemplo. Nem mesmo quando ele e seu melhor amigo (e irmão) John começam a mostrar um enorme talento para a natação, o chefe da família fica feliz. O mérito fica todo para John e Tony permanence uma nulidade para ele. É aí então que ele faz o que de mais cruel um pai pode fazer: joga um filho contra o outro, colocando John nas mesmas competições que Tony.



Geoffrey Rush está tão perfeito como pai despótico quanto Judy Davis como a mãe heróica, que faz tudo para manter a família unida. Russel Mulcahy tem no currículo bons videoclipes (além de ter feito Highlander e, suprema bobagem, Highlander II ) e por isto está sempre tão à vontade no uso de cortes e recursos – vantagens só potencializadas pela edição. Várias vezes a câmera toma a perspectiva do tirano, vendo tudo sob a ótica distorcida da bebida e do ódio – e fica difícil não ter vontade de afogar este personagem. Da mesma forma, as lentes viram o olho de Tony quando o rapaz se mistura ao mundo luminoso e oxigenado em que escolheu viver. Jesse Spencer (que quase foi Anakin Skywalker em Star Wars ) está bem como o filho rejeitado fazendo contraponto com o cantor Tim Draxl como John. Não há muito espaço para o melodrama, mas Campeão também não chega a ser um Festa de Família , do Dogma.





# CAMPEÃO (Swimming Upstream )

Austrália, 2003

Direção: Russel Mulcahy

Roteiro: Anthony Fingleton

Diretor de fotografia: Martin McGrath

Produção: Howard Baldwin, Karen Elise Baldwin

Trilha sonoral: Reinhold Heil, Johnny Klimek

Montagem: Marcus D´Arcy

Elenco: Geoffrey Rush, Judy Davis, Jesse Spencer, Tim Drax, David Hoflin, Craig Horner, Brittany Byrnes, Deborah Kennedy,

Mark Hembrow,Mitchell Dellevergin, Thomas Davidson, Kain O´Keefe, Robert Quinn, Keeara Byrnes, Des Drury.

Duração: 114min

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