Críticas


PARA SEMPRE NA MINHA VIDA

De: GABRIELE MUCCINO
Com: SILVIO MUCCINO, GIUSEPPE SANFELICE, ANNA GALIENA
12.10.2004
Por Marcelo Janot
A PRIMEIRA VEZ É INESQUECÍVEL

O inesperado sucesso de O Último Beijo no Brasil despertou o interesse pelo trabalho do jovem diretor italiano Gabriele Muccino, de 37 anos, fazendo com qu4e chegasse até nós seu filme anterior, Para Sempre Na Minha Vida. Em O Último Beijo, Muccino impressionava pela lucidez com que conseguia captar os dilemas amorosos dos homens na faixa dos 30 anos. Para Sempre Na Minha Vida pode ser encarado como um preâmbulo deste, já que o enfoque está na descoberta da sexualidade por Silvio (Silvio Muccino, irmão do diretor e co-roteirista), um estudante secundarista. É como se o súbito desejo, por parte do protagonista de O Último Beijo, de redescobrir o gosto pela aventura amorosa, se explicasse pelo frescor da descoberta do amor em Para Sempre Na Minha Vida.



Mais uma vez, Gabriele Muccino realiza um filme fascinante e verdadeiro, perspicaz na forma de abordar o turbilhão de idéias e sensações que passam pela cabeça de jovens doidos para perder a virgindade com a garota de seus sonhos. Não há nada, aqui, que lembre aquelas comédias idiotas americanas, tipo American Pie, A Primeira Vez É Inesquecível. Talvez só o fato de os personagens pensarem em sexo como seus equivalentes hollywoodianos, mas, ao contrário dos filmes-pipoca, eles estão inseridos num contexto social e político que dá outra dimensão à obra.



Os pais de Sílvio foram engajados no movimento estudantil durante a década de 70, quando havia muito o que protestar. Hoje os tempos são outros. Sílvio adere aos protestos de seus colegas de grêmio estudantil, que decidem ocupar a reitoria da escola à força para lutar contra “a privatização do ensino” e a “padronização da educação”. Empunham bandeiras vermelhas e vestem camisetas de Che Guevara, mas para muitos deles o que interessa é a farra – passar a noite na escola e conquistar garotas. Na primorosa seqüência da ocupação da escola, Muccino mostra como trabalhar com uma câmera ágil sem recorrer à ditadura estética do videoclipe.



O diretor consegue dar o seu recado, num tom extremamente carinhoso, de quão vazio e sem propósito se tornou o movimento estudantil, numa época em que as utopias são vendidas em lojas de grife. Embora isso seja apenas o subtexto de um filme onde o que interessa mesmo é o lado prazeroso do rito de passagem sentimental da adolescência para vida adulta, e que culminará na crise dos 30, como já vimos em O Último Beijo.



# PARA SEMPRE NA MINHA VIDA (Come Te Nessuno Mai)

ITÁLIA, 1999

Direção: GABRIELE MUCCINO

Roteiro: GABRIELE MUCCINO, SILVIO MUCCINO, ADELE TULLI

Elenco: SILVIO MUCCINO, GIUSEPPE SANFELICE, ANNA GALIENA

Duração: 88 minutos

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