Críticas


MUPPETS 2 – PROCURADOS E AMADOS

De: JAMES BOBIN
Com: RICKY GERVAIS, TINA FEY, TY BURREL
27.06.2014
Por Octavio Caruso
Os Muppets domesticados da Disney

O filme anterior era encantador, utilizava o fascínio da criação de Jim Henson como desculpa para incitar uma discussão importante: existe espaço para o lúdico nesse mundo, onde a cultura, especialmente aquela direcionada às crianças, está cada vez mais medíocre? Ao resgatar aqueles personagens do ostracismo, reinserindo-os no cenário da cultura popular, o jovem fã também fazia as pazes com sua própria natureza, aceitando sair dos cuidados do irmão e enfrentar o mundo acompanhado dos novos amigos.

Essa nova aventura carece de uma mensagem emotiva que a torne relevante além do entretenimento momentâneo, mas isso não a torna menos eficiente em sua proposta. O produto final está no mesmo nível do tematicamente similar A Grande Farra dos Muppets, lançado em 1981. O primeiro ato é impecável em ritmo e substância, iniciando com uma deliciosamente criativa crítica musical às sequências cinematográficas, seguida pela introdução do vilão vivido por Ricky Gervais, que planeja ganhar a confiança dos Muppets como seu novo empresário, utilizando então a incrível semelhança entre o sapo Kermit e o habilidoso comparsa criminoso Constantine, durante uma ambiciosa turnê mundial, como um facilitador para que troquem de identidade. Uma excelente desculpa para, na tradição da franquia, incluir participações especiais de nomes como Christoph Waltz, Tony Bennet, Celine Dion, Lady Gaga, Salma Hayek, Frank Langella, entre muitos outros. Vale salientar a breve homenagem ao clássico de Ingmar Bergman: O Sétimo Selo, inteligente ousadia que merece ser levada em consideração, numa obra direcionada principalmente ao público infantil.

Acompanhar a narrativa a partir do segundo ato, com os ocasionais interlúdios musicais ficando cada vez menos inspirados, vai se tornando um tanto quanto enfadonho. O diretor James Bobin e o roteirista Nicholas Stoller não conseguem repetir com o mesmo charme a mágica do filme anterior, deixando de cumprir o que a sequência de abertura prometia: um abraço no politicamente incorreto, em sintonia ideológica com Os Muppets – O Filme, de 1979, que atacava de forma cáustica a indústria do entretenimento. A Disney pode ter feito renascer “Os Muppets”, mas também os domesticou.

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