DVD/Blu-ray


YOJIMBO de Kurosawa em DVD

De: AKIRA KUROSAWA
Com: TOSHIRO MIFUNE, TATSUYA NAKADAI
19.07.2014
Por Octavio Caruso
Mifune como o anjo da morte, no faroeste samurai de Kurosawa.

O filme está sendo lançado pela distribuidora Versátil, em versão recentemente restaurada com um ótimo documentário, num belo digistack que inclui a sequência: Sanjuro. Akira Kurosawa buscou inspiração nos faroestes americanos e no livro “Seara Vermelha”, que Dashiell Hammett escreveu em 1929, carregando as artimanhas do detetive para o cenário do Japão na iminência da Restauração Meiji, transformando-o em um ronin com sérios problemas com piolhos, elemento que Toshiro Mifune trouxe para o personagem, fazendo seu constante balançar de ombros uma marca registrada. É interessante perceber o conflito modernidade/tradição, característica essencial em muitos faroestes, sendo representado pelo personagem Unosuke (vivido por Tatsuya Nakadai), sempre acompanhado de seu revólver.

A obra, além de ter servido de inspiração para Sergio Leone em Por Um Punhado de Dólares, foi também bastante representativa dentro de seu próprio gênero, estabelecendo com seu anti-herói atormentado, cínico e irreverente uma fórmula vencedora para os chambara subsequentes. Ao revê-la, constatei que talvez seja a mais acessível do diretor, mérito dos eficientes alívios cômicos e da narrativa objetiva, ágil e empolgante. Outro aspecto que considero válido salientar é a excepcional trilha sonora subversiva de Masaru Sato, um mestre que acompanhou Kurosawa desde Trono Manchado de Sanguee também trabalhou com o diretor Kihachi Okamoto (em A Espada da Maldição). Esse pouco reconhecido talento teve como mentor o grande Fumio Hayasaka, compositor de Rashomon” e de Os Sete Samurais. Com ousadia, Sato misturou influências europeias e jazzísticas americanas às tradições asiáticas, ajudando a moldar sonoramente o gênero, além de ter sido clara inspiração para o celebrado trabalho de Ennio Morricone nos Westerns Spaghetti.

Sanjuro decide seu destino jogando um graveto para o alto, seguindo a direção que o vento escolheu apontar. Aquela cidade esquecida pelo tempo, onde é recebido por um cão carregando uma mão humana na boca, parece sobrenatural, uma sensação que é reforçada pela trilha sonora. O único indivíduo que prospera naquele ambiente é o responsável pela construção dos caixões. Como moldura, a fotografia do sempre competente Kazuo Miyagawa, repetindo a parceria estabelecida em Rashomon. O protagonista age então como um anjo da morte no inferno, decidido a limpar aquele local de toda a corrupção.

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