Críticas


MOMMY

De: XAVIER DOLAN
Com: ANNE DORVAL, SUZANNE CLÉMENT, PATRICK HUARD
13.12.2014
Por Octavio Caruso
Ficção científica sobre o desgaste de uma relação, causado pelo excesso de amor.

Esse não é o melhor filme na curta, porém promissora, carreira do jovem diretor canadense Xavier Dolan, lugar que reservo ao seu segundo projeto: “Amores Imaginários”, mas é mais interessante que os anteriores “Laurence Anyways” e “Tom na Fazenda”. A estética de excessos, que o leva a ser comparado com Pedro Almodóvar e Baz Luhrmann, pode afastar boa parte do público, mas é fácil demais rejeitar suas obras taxando-as de exibicionismo arrogante, um rótulo que impede uma análise mais profunda.

Nesse projeto mais sóbrio, ele opta por uma razão de aspecto 1:1, que fala diretamente à essência dos confinados personagens, limitados a uma existência sem horizontes, expandindo a tela exatamente no belo momento que representa o sonho, o potencial, as aspirações. A beleza dessa cena, que obviamente não irei revelar, já demonstra que existe uma inteligência sensível por trás das escolhas estéticas do diretor, não são artifícios vazios. Ele pode ter se perdido na trama, com quebras de ritmo pontuais no decorrer da longa duração, deixando de enriquecer mais a construção dos personagens, possibilitando maior conexão emocional com suas motivações, o que tornaria mais agradável essa experiência para o público, mas são equívocos compreensíveis em um cineasta que ainda está se ajustando às suas próprias ambições artísticas.

Ele evoluiu, aprimorando a utilização da câmera lenta, algo que eu considerava falho em seus filmes anteriores. A utilização de músicas pop como parte intrínseca, complementar, na narrativa, também irá repelir aqueles que não apreciam o estilo, mas é válido entender que, apesar do conflito entre a mãe, vivida de forma brilhante por Anne Dorval, e o filho ser intimista, o roteiro é uma ficção científica, mostrando uma versão alternativa e futurista do Canadá, onde uma nova lei permite que os pais entreguem seus filhos com problemas mentais aos cuidados de uma instituição pública. A teatralidade na interpretação é, assim como o uso da música, uma ferramenta que expressa os sentimentos em jogo, que potencializa o soco no estômago desferido por aqueles que a sociedade julga como perdedores, o desgaste na relação entre pessoas que se amam tanto, que encontram dificuldade em conviver.

Voltar
Compartilhe
Deixe seu comentário