Críticas


TUDO QUE DEUS CRIOU

De: ANDRÉ COSTA PINTO
Com: LETÍCIA SPILLER, PAULO VESPÚCIO, MARIA GLADYS, GUTA STRESSER
22.01.2015
Por Carlos Alberto Mattos
Beleza na mescla de sordidez e ternura

Tudo que Deus Criou é o primeiro longa de André da Costa Pinto e da maior parte de sua equipe, integrada por muitos alunos da Universidade Estadual da Paraíba. Mas não parece. O filme narra com apetite e quase sempre com precisão de tempo e tom uma história baseada em fatos. Para não estragar as muitas surpresas do roteiro, limito-me a enumerar alguns personagens: um bibliotecário viúvo com vida sexual clandestina, um jovem travesti que se prostitui às escondidas da família, um cunhado abjeto, uma jovem cega à procura de prazer, uma mulher sufocada por um casamento infeliz. A maneira como essas figuras vão interagir numa rede de afetos, violência e casualidades é a grande qualidade do trabalho. Mas não a única.

A câmera de João Carlos Beltrão tem um papel admirável na construção dos planos e na geração de sentidos adicionais através das escolhas de enquadramento. O elenco praticamente impecável inclui Paulo Vespúcio, Letícia Spiller (excelente como a cega cheia de amor pra dar), Guta Stresser, Maria Gladys, Paulo Philippe e Cláudio Jaborandy. A mescla de sordidez e ternura tem momentos de incrível beleza na medida em que as relações entre os personagens evoluem por caminhos inesperados. Um belo filme com lugar garantido entre os mais fortes do jovem cinema brasileiro.

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