Críticas


TÚMULO COM VISTA

De: NICK HURRAN
Com: BRENDA BLETHYN, ALFRED MOLINA, CHRISTOPHER WALKEN
09.06.2004
Por Maria Silvia Camargo
ENTRE O CHÁ E A JARDINAGEM

Woody Allen está certo quando diz que não se fazem mais filmes para adultos. O cenário está recheado de filmes-catástrofe, roteiros baseados em história de quadrinhos. Pouca coisa hoje entra na tela sem um efeito especial, um recurso do fantástico. Difícil ver um filme americano em que - se os personagens não estão cobertos de sangue - eles têm um aspecto fofinho ou risível. Já repararam que em quase todas as comédias românticas alguém escorrega e cai?



Têm sido raros os filmes que tem boas sacadas cheias de ironia. Mesmo entre os ingleses, com sua longa tradição que vai de Charles Chaplin ao Gordo e o Magro, faz tempo que não aparece um grupo como o Monty Python – que debochou com genialidade de vários aspectos do ser humano e sua história. Túmulo Com Vista , de Nick Hurran pertence a uma outra vertente do humor inglês: aquela que explora a idéia de que eles não vivem apenas de beber chá e praticar jardinagem. O genial romancista do País de Gales Roald Dahl explorou isto ao máximo em seus livros, especialmente no conto Lamb to the Slaughter – que mostra que uma boa velhinha inglesa também é capaz de cortar alguém em pedacinhos e servi-los como jantar.



Os últimos personagens vividos por Brenda Blethyn não chegaram a tanto. Em O Barato de Grace (de Nigel Cole, em 2000) ela deixava a vida de dona de casa para cultivar – e fumar – maconha. Agora em Túmulo Com Vista , no papel de Betty, decide fugir com o amante. O motivo é o mesmo da protagonista de O Barato de Grace : o marido a traía e ela foi feita de boba durante anos. Acontece que o novo candidato ao seu coração, Boris Plotz (Alfred Molina) é um agente funerário. E a melhor maneira de ele desaparecer com Betty sem deixar pistas é fingir que ela morreu. Betty então se submete a pular de penhascos, entrar em geladeiras e freqüentar enterros – entre eles, o próprio.



A diferença neste enredo de quiproquós e correrias são os atores. Brenda Blethyn, Alfred Molina e Christopher Walken dão veracidade e brilho a qualquer pequena frase deste roteiro. Walken, sempre com a mesma postura ereta e chique enverga com verdade uma peruca cheia de laquê. Ele é o “americano” da trama, o sujeito estranho. No papel de um agente funerário moderno, sustenta que se deve recriar as fantasias do cliente que se vai. E por conta disto produz as cenas mais absurdas. Molina, por sua vez, é o conservador tímido e romântico, há milênios apaixonado por Betty – e é incrível como ele nos convence disto. Molina, Walken e Blethyn dão nítidos sinais de estarem se divertindo. Robert Pugh e Naomi Watts como o marido e a amante também procuram fugir do esteriótipo. E assim umas quatro ou cinco ótimas piadas se sobressaem em meio a esta trama leve como uma pluma, que, poucas horas depois do filme terminado a gente já esqueceu.



# TUMULO COM VISTA ( PLOTS WITH A VIEW)

Inglaterra, 2004

Direção: Nick Hurran

Roteiro: Frederick Ponzlov

Produção: David Ball

Trilha sonora: Rupert Gregson-Williams

Fotografia: James Welland

Edição: John Richards

Direção de elenco: Kate Rhodes James,

Peter e Susan Wooldridge

< b> Direção de arte: Lesley Dearn,Alex Evans

Figurinos: Ffion Elinor

Maquiagem: Amy Hadden

Elenco: BRENDA BLETHYN, ALFRED MOLINA, CHRISTOPHER WALKEN, ROBERT PUGH, NAOMI WATTS, LEE EVANS, JERRY SPRINGER, EDNA COHEN, HOWELL EVANS.

Duração: 90 min.

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