Críticas


OS VINGADORES: ERA DE ULTRON

De: JOSS WHEDON
Com: CHRIS EVANS, SCARLETT JOHANSSON, ROBERT DOWNEY JR., MARK RUFFALO, CHRIS HEMSWORTH, JEREMY RENNER
24.04.2015
Por Octavio Caruso
Empolgante na medida certa, porém, vítima de um vilão apático.

Há um elemento que diferencia o público nerd daquele que frequenta os festivais de cinema e, invariavelmente, despreza qualquer projeto popular: ele busca a satisfação em, pelo menos, um momento bom do filme. Uma cena empolgante, emocionante, já faz valer a experiência. O sisudo que adora ver a tinta secar na parede por quatro horas, quase sempre, está procurando as possíveis falhas no projeto, querendo saber se a obra passará pelo seu criterioso crivo, satisfazendo, em primeiro lugar, o seu inflado ego. Um roteiro como o de “Os Vingadores: Era de Ultron”, plenamente consciente de seu público-alvo, acaba se permitindo brincar com as expectativas do fã, conduzindo o leitor de quadrinhos, dos oito aos oitenta anos, em uma viagem genuinamente divertida pelo terreno dos escapistas sonhos infantis. Não importa que existam falhas, como em todos os filmes, tudo é perdoado quando o roteiro consegue fazer com que o adulto na plateia, em alguma cena, com um sorriso nostálgico, estenda a mão para sua contraparte infantil. E, sem exagero, o roteirista e diretor Joss Whedon cumpre inteligentemente esse objetivo, no mínimo, umas três vezes ao longo da trama. É óbvio que não irei revelar as cenas, mas, com certeza, posso afirmar que elas superam, em emoção, os melhores momentos do filme anterior.

A trama carece de um vilão interessante, um ponto fraco, já que a ameaça de Ultron caberia melhor em um desenho animado. Talvez tivesse sido melhor utilizar o tempo para aprofundar o arco narrativo dos irmãos, Feiticeira Escarlate e Mercúrio, o que intensificaria consideravelmente o investimento emocional do público na participação deles no terceiro ato. Ela, Elizabeth Olsen, com a bela plasticidade dos movimentos, acaba se saindo melhor que ele, já que a atuação de Aaron Taylor-Johnson é inacreditavelmente desinteressada, como se o ator tivesse desistido do projeto logo após assinar o contrato. É compreensível perceber o cansaço de Robert Downey Jr., afinal, já é seu quinto passeio nessa montanha-russa, porém, levando em consideração que o Homem de Ferro é parte essencial da construção do problema que será enfrentado pela equipe, senti falta do entusiasmo que o ator transmitia em seu terceiro projeto solo, onde o personagem já lidava com as consequências mentais da primeira aventura da equipe. Continuo impressionado com a competência de Mark Ruffalo, um ator que está visivelmente adorando fazer parte dessa brincadeira, uma sensação que contagia o público em todas as suas cenas. A Viúva Negra, vivida por Scarlett Johansson, recebe maior atenção, assim como o Gavião Arqueiro, de Jeremy Renner, que se torna protagonista de uma subtrama bucólica, na linha tênue do melodrama de um especial para televisão, salvo apenas pelo carisma do ator. O Thor, de Chris Hemsworth, vive seu momento mais genérico, com direito a algumas piadas que não soam muito orgânicas na voz do personagem que foi estabelecido nos filmes anteriores. É engraçado o recurso, mas, inegavelmente, uma forçada de barra, na tentativa de inventar maior relevância para o Deus do Trovão na narrativa.

Evitando soltar spoilers, vale destacar que, a despeito de um conflito apático, o ponto alto acaba sendo a forma como o roteiro aborda a camaradagem da equipe, evidenciada de forma épica nas batalhas e, impecável, nas cenas leves de descontração sem os uniformes. Destaco também a beleza dos créditos finais, firmando os super-heróis dos quadrinhos como a mitologia dos tempos modernos. Há uma breve cena após os créditos finais, porém, sinceramente, achei pouco criativa, muito previsível.

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Outros comentários
    4101
  • Miguel Deak
    27.04.2015 às 12:43

    Sinceramente não acho que Downey Jr esteja cansado. Aliás isso pode ser desmentido por informações de antes das gravações do próximo filme, onde pediu que seu personagem tivesse mais exposição no filme do Capitão América. Sem falar nas inúmeras entrevistas que o ator dá e outras inúmeras aparições públicas "interpretando" o próprio Tony Stark na sua vida. Talvez o que aparenta ser "desinteresse" pode ser simplesmente o seu cansaço pelo personagem que após 5 filmes, já não tem mais nada de novo para apresentar. Diferentemente dos outros personagens é o que está mais adiantado em seus filmes solos.
  • 4102
  • Lililson
    28.04.2015 às 23:41

    Leio muitas críticas de cinema, e estou aprendendo muito com isso, sou um fiel apreciador da 7 arte, leio todas as discussões e debates a cerca do cinema e suas produções...Agradeço a todos e principalmente ao Octavio Caruso, pelo aprendizado que tem me proporcionado nas várias facetas interpretativas do cinema, arte esta que tenho grande admiração pessoal.