DVD/Blu-ray


Clássicos Sci-Fi, em DVD, pela Versátil

De: JACK ARNOLD, JOHN CARPENTER, JOSEPH LOSEY, MARIO BAVA
Com: LESLIE NIELSEN, NORMA BENGELL, MICHAEL YORK, WALTER PIDGEON
08.05.2015
Por Octavio Caruso
Clássicos do gênero recebem tratamento de luxo em caixa temática.

Em meio a tantas aventuras espaciais tolas e realizadas com baixo orçamento na década de cinquenta, a MGM decidiu investir pesado em uma trama de ficção científica inspirada em “A Tempestade”, de William Shakespeare, roteirizado por Cyril Hume, que, no mesmo ano, foi o responsável pelo excelente “Delírio de Loucura”, de Nicholas Ray. O resultado: "Planeta Proibido". A cereja do bolo, a ameaça alienígena, desenhada pelos profissionais dos estúdios de Walt Disney. É inteligente a ideia de manter essa força incontrolável de destruição, uma manifestação do subconsciente de ódio do ser humano, como um elemento invisível, sinalizada pelas pegadas monstruosas que deixa no solo, confiando na imaginação do espectador. O que não se vê é sempre mais assustador.

O conceito freudiano era altamente ousado à época, inserido em um produto de puro entretenimento, superestimando o público-alvo que costumava lotar as sessões descompromissadas do gênero. Ao invés de apostar nos genéricos monstros e robôs destruidores, o roteiro incita a reflexão sobre o desejo do homem em conquistar outros mundos, e, devido a essa insaciável ambição tecnológica, seu consequencial desinteresse, cada vez mais latente, no aprimoramento psicológico individual. O aumento do conhecimento, o estímulo do raciocínio, irá ser responsável por avanços científicos, mas, na mesma medida, irá gerar uma evolução na capacidade destrutiva. Esse questionamento é um dos principais motivos que impediram o envelhecimento do projeto, apesar de, obviamente, os efeitos visuais não causarem mais deslumbramento. A influência dele pode ser mensurada de forma simples, apenas imaginando que, sem ele, provavelmente não haveria a série “Jornada nas Estrelas”. Gene Roddenberry bebeu generosamente da fonte do clássico dirigido por Fred M. Wilcox. A imagem icônica do robô Robby, que entrou para a cultura pop, acaba sempre chamando mais atenção, porém, sua participação no filme, apesar de muito eficiente enquanto alívio cômico, é, afirmo com segurança, o elemento menos interessante nessa excelente obra.

Houve um fenômeno de popularidade do tema na década de cinquenta, com os produtores despejando o máximo possível de produtos genéricos sobre alienígenas nos cinemas drive-in, para uma garotada assistir entre um beijo e outro. Grande parte desses filmes envelheceu mal porque, enquanto jovem, já eram terrivelmente problemáticos, estruturalmente simplórios e com atuações desastrosas. “A Ameaça Que Veio do Espaço”, dirigido por Jack Arnold, do ótimo “O Incrível Homem Que Encolheu”, é diferente. Sendo adaptado de um conto, inédito à época, do excelente escritor Ray Bradbury, mestre da ficção-científica, já valeria a reverência, porém, não é o único motivo que faz esse filme ser, ainda hoje, eficiente.

Os alienígenas não estão invadindo o planeta, um conceito inovador para a época, eles não são a ameaça, ainda que o título nacional assim faça crer, mas, sim, forasteiros que caíram por acidente em uma sociedade estranha. Eles decidem tomar a forma dos humanos, sem causar mal às matrizes, pois sabem que os terráqueos não sabem lidar com o desconhecido, eles temem e agridem aquilo que não compreendem. Os alienígenas precisam conviver com os humanos o tempo suficiente para consertarem sua espaçonave. É ótima a cena em que o protagonista, o astrônomo vivido por Richard Carlson, tenta explicar essa conduta para o xerife, fazendo uma analogia com uma aranha que avistou na areia do deserto: “Você teme a aranha por ela ter oito patas”, segundos antes de o policial meter sua bota na cabeça do bicho. Em outro momento, o astrônomo conversa com o alienígena, que explica para ele a frustração de ter caído no planeta: “Caso fossem vocês, humanos, que tivessem caído no nosso planeta, nós entenderíamos melhor”. A ideia de que não estamos prontos para explorar outras formas de vida é genial, já que não sabemos lidar nem com o vizinho, agredimos verbalmente o colega de trabalho só por ele ser do time adversário no futebol. É uma percepção que, ainda hoje, em pleno 2015, continua, infelizmente, atual.

O design dos alienígenas, criado por Milicent Patrick, remetendo a uma espécie de lesma ciclope, é um dos mais memoráveis no gênero, com a fotografia em primeira pessoa captada por uma câmera dentro de uma bolha de plástico.

A distribuidora Versátil está lançando esses dois filmes importantes para o gênero da ficção-científica na caixa "Clássicos Sci-Fi", que conta ainda com: "O Planeta dos Vampiros", do mestre Mario Bava, "Os Malditos", de Joseph Losey, o cultuado "Fuga no Século 23" e "Eles Vivem", de John Carpenter, que considero melhor que sua obra mais famosa: "Halloween". Claro, além de documentários sobre cada filme. É uma iniciativa que merece ser aplaudida.

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