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CARTA DE COTA A JOEL ZITO

26.08.2004
Por Ricardo Cota
CARTA DE COTA A JOEL ZITO

Prezado Joel,



Meu texto publicado neste site não tinha de forma alguma o objetivo de questionar a

excelência do seu filme. Por um motivo muito simples, dele, só vi um preview,

apresentado durante a inauguração do Cinema do Centro Cultural do Banco do Brasil em

Brasília, que por sinal deixou excelente impressão entre os presentes. Ainda não sou

sofisticado a ponto de ser convidado a Gramado. Mas não acredito que seja por

preconceito.



O motivo do meu texto foi exatamente a infeliz declaração de Ewald, que pareceu

justificar a premiação pela presença de atores negros em um filme gaúcho. Não vi ali

uma manifestação direta de racismo, até porque não tenho qualquer dúvida de que

Rubens o seja, mas vi uma tentativa de justificar de forma politicamente correta o prêmio.

o que não considero bom, nem para a crítica, que é o que mais me interessa discutir,

nem para o diretor e a equipe do filme. Lamentavelmente, ficou a impressão, já corrigida,

de que o filme foi premiado por um critério que eu, com ironia, defini como próximo do

critério de cotas.



Isso acontece - faço questão de repetir, sempre na minha opinião - porque as

justificativas de premiações nos festivais perderam a importância, o que é lamentável.

Veja que logo em seguida à polêmica Rubens Ewald redigiu uma crítica cheia de

adjetivos para explicar a premiação. Pela justificativa conclui-se que Filhas do

Vento
é uma obra-prima. Pois bem, se assim o é, Gramado não foi tão ruim, já que ao

menos trouxe às telas um filme antológico para a história do cinema brasileiro. E que

fique, então, claro: um filme antológico pela suas qualidades fílmicas, pela excelência da

direção, dos atores e de demais membros da equipe, independente da origem cultural,

étnica, racial ou o que seja de seus realizadores.



Minha discussão, portanto, é sobre o valor das justificativas, que não devem obedecer

tais critérios. Por sinal, o critério do júri da crítica, que seguiu o padrão dos júris da

FIPRESCI, me pareceu corretíssimo. No mais desejo-lhe sucesso, parabenizo-lhe pelos prêmios, pela decisão de não devolvê-los e pela grandeza como encarou as desculpas de Ewald. Agora só anseio mesmo é por por ver em breve o resultado de seu filme nas telas brasileiras.



Atenciosamente



Ricardo Cota

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