Críticas


MOSTRA SP 2004: SHOUF SHOUF HABIBI!

De: ALBERT TER HEERDT
Com: MIMOUN OAÏSSA, NAJIB AMHALI, TOURIYA HAOUD, FRANK LAMMERS
23.10.2004
Por Carlos Alberto Mattos
CUSCUZ INDIGESTO

Shouf Shouf Habibi! é exemplar dos descaminhos que tomou o cinema independente multicultural em sua tentativa desajeitada de agradar a qualquer custo. Nessa comédia sobre uma família marroquina vivendo na terra das tulipas, o diretor (holandês da gema) Albert Ter Heerdt tenta introjetar o que ele possivelmente entende como um jeito terceiro-mundista de filmar: uma câmera supostamente “espontânea”, performances caricatas, muito barulho, um roteiro que salta de uma situação para outra sem nenhuma elaboração ou elegância.



O resultado pretende-se uma “comédia marroquina” sobre a integração (ou sua recusa) ao modo de vida ocidental. Um olhar preconceituoso e freqüentemente grosseiro reserva aos imigrantes as alternativas de prostituir-se, optar pelo crime, pelo adultério e pela chantagem ou simplesmente vegetar na impotência, como fazem os mais velhos. Da Holanda chegam notícias de que o filme despertou polêmica e até alguns contatos nada gentis entre marroquinos e nativos em corredores de cinema. Visto de longe, Shouf Shouf Habibi! parece apenas medíocre, quando não constrangedor.



O desejo de agradar inspira o humor mais rasteiro em tudo o que diz respeito a sexo, costumes, maneiras de falar etc. O que se vê é uma visão redutora e deformada da cultura marroquina, um pouco na linha de O Casamento Grego, mas sem um décimo do humor e da oblíqua simpatia daquele. Ap, o personagem central (central inclusive em relação ao espectro de integração-rejeição desenhado pelo filme), até que merecia melhores chances se fosse interpretado por outro ator – e, melhor ainda, se estivesse em outro prato que não esse cuscuz indigesto.





#SHOUF SHOUF HABIBI!

Holanda, 2004

Direção e Roteiro: ALBERT TER HEERDT

Elenco: MIMOUN OAÏSSA, NAJIB AMHALI, TOURIYA HAOUD, FRANK LAMMERS

Duração: 89 min.

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