DVD/Blu-ray


Clássicos do GIALLO em DVD, pela VERSÁTIL

De: MARIO BAVA, LUCIO FULCI, DARIO ARGENTO, SERGIO MARTINO
Com: BARBARA BOUCHET, FLORINDA BOLKAN
07.09.2015
Por Octavio Caruso
Clássicos de um subgênero que merece maior reconhecimento.

Seis Mulheres Para o Assassino (Sei donne per l’assassino – 1964)

Isabella, uma jovem modelo, é assassinada por uma misteriosa figura mascarada numa Casa de Moda, pertencente à Condessa Cristiana. Quando o namorado de Isabela se torna suspeito do assassinato, o diário da vítima, contendo informações que relacionem a jovem ao assassino, desaparece. É interessante constatar uma das possíveis inspirações para o detetivesco Rorschach, de “Watchmen”, no assassino sem rosto dessa ótima incursão de Mario Bava no giallo, subgênero que ele havia criado, dois anos antes, com “A Garota Que Sabia Demais”, também conhecido como “Olhos Diabólicos”. A ausência de expressão, a teatralidade das luvas de couro pretas, a frieza na execução de seus atos, uma composição fiel ao espírito daquelas obras policiais psicologicamente despretensiosas, livrinhos de bolso de apelo imediatista, não exatamente de capas amarelas como a dos italianos, que comprávamos com trocados nas bancas de jornal. O triste é pensar que, apesar da beleza experimental inserida em cada frame do projeto, muitos críticos ainda encontrem argumentos para o menosprezo com o gênero, aplaudindo outros, tão criativos quanto, como o noir.

O trabalho com cores, sempre um atrativo especial nas obras do diretor, vive aqui um momento de glória, sendo impossível destacar apenas uma, dentre as várias sequências que poderiam facilmente ser emolduradas. Adicionando uma boa dose de sadismo ao tempero de sua tentativa anterior, além de um bom MacGuffin na figura do diário que incrimina praticamente todos os personagens, o roteiro utiliza os crimes como desculpa para o diretor pensar esteticamente sua coreografia do medo, conseguindo transmitir visualmente, com ajuda da atmosfera estabelecida pela iluminação, cenas que potencializam a dança da morte, fazendo com que esqueçamos, enquanto público, o desinteresse aparente em firmar as motivações por trás das ações dos personagens, característica que se tornaria usual nos slashers americanos, que, sem o estímulo visual inteligente e refinado do realizador italiano, não passavam de tola diversão inofensiva.

Como ocorria com Kubrick, por exemplo, a câmera de Bava transformava uma trama simples em um material interessante em diversas camadas.

O Segredo do Bosque dos Sonhos (Non si Sevizia um Paperino – 1972)

Esse é daqueles filmes que, dois minutos depois do fim, ainda se recuperando do impacto, você tem vontade de aplaudir de pé. Lucio Fulci, diretor pouco valorizado, conseguiu criar um corajoso tratado único sobre temas espinhosos como preconceito, pedofilia, hipocrisia, superstição e religião, sem medo de controvérsias.

Vou evitar revelar muito sobre a trama, um tremendo desserviço, especialmente nesse caso. Em um vilarejo dominado pelo misticismo, crianças são assassinadas, conduzindo os policiais na direção de uma bruxa praticante de vodu, vivida pela brasileira Florinda Bolkan. O roteiro abre o leque de possibilidades, mostrando que todos são suspeitos, já que não há sinal algum de qualquer senso de moralidade ou ética nas atitudes dos moradores. Até mesmo as crianças, que acabam sendo vítimas, são apresentadas praticando atos de sadismo, sem nenhum traço de empatia. O único que se mostra puro e bem-intencionado é o padre. Uma das personagens, vivida pela bela Barbara Bouchet, é uma viciada em drogas que busca reabilitação, uma jovem ousada que parece ter uma fixação em se insinuar sexualmente para os meninos da região.

O mais interessante é como a história subverte qualquer expectativa, inclusive, visualmente, uma característica simbolizada em uma das cenas mais interessantes na história do Giallo, verdadeiramente inesquecível, um brutal linchamento acompanhado na trilha sonora pela programação exótica de uma estação de rádio, tendo, em seu ápice dramático a linda: “Quei giorni insieme a te”, cantada por Ornella Vanoni. A impressionante sequência ganha ares ainda mais épicos e poéticos em revisão, conhecendo o desfecho da trama.

A distribuidora "Versátil" está lançando essas duas obras-primas do gênero na caixa "Giallo", que conta também com: "Tenebre", de Dario Argento, e "O Estranho Vício da Sra. Wardh", de Sergio Martino. Como é de costume, a edição conta com excelentes documentários, que nos conduzem aos bastidores e com análises de outros cineastas, sobre como os filmes impactaram o gênero.

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