Críticas


LA SAPIENZA

De: EUGÈNE GREEN
Com: FABRIZIO RONGIONE, CHRISTELLE PROT, LUDOVICO SUCCIO
20.09.2015
Por Carlos Alberto Mattos
Um diretor empertigado formal e intelectualmente

Americano radicado na França, Eugène Green é um teórico do barroco que pretende levar para seus filmes uma reflexão contemporânea a respeito daquela escola artística. Em La Sapienza (referência a uma igreja romana e a uma companhia de teatro barroco fundada por Green em Paris), temos um arquiteto francês em crise de criação e sua esposa psicanalista em viagem à Itália. A relação que eles estabelecem com um jovem casal de irmãos italianos lhes vai proporcionar uma interação educativa e novas descobertas que têm a ver com a busca de espaço, luz, sabedoria e cura. O arquiteto percorre e comenta para seu discípulo igrejas barrocas de Bernini e Borromini em Turim e Roma, belamente filmadas, assim como as vistas das cidades. Enquanto isso, a mulher faz uma permuta terapêutica com a moça na relaxante e lacustre Stresa.

Curiosamente, o estilo de Green, à parte os movimentos de câmera ascendentes, tem quase nada a ver com o barroco. Ao contrário, é seco como um deserto e duro como um rochedo. À primeira vista, achei que ele teria se deixado acometer pela doença postural de certos cineastas quando tratam de arquitetura. Faz tomadas caprichosamente simétricas; coloca os atores em postura hierática e fazendo da câmera seu interlocutor nos diálogos; usa uma progressão uniforme do plano de conjunto para o close em cada diálogo, não importando se há motivo ou não para a aproximação. Mas pelo que li, é assim também em seus outros filmes, o que sugere uma enfermidade ainda mais grave.

Green não é empertigado apenas formalmente, mas também intelectualmente. Seu racionalismo se exprime em metáforas no fundo pobres, desfiadas de maneira presunçosa e bastante aborrecida.

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