Críticas


A GAROTA DINAMARQUESA

De: TOM HOOPER
Com: EDDIE REDMAYNE, ALICIA VIKANDER, BEM WHISHAW, AMBER HEARD
15.02.2016
Por Octavio Caruso
O roteiro falha ao não entender que o indivíduo é muito mais que sua sexualidade.

A forma como o protagonista, logo no início, toca suavemente nas roupas femininas penduradas, enquanto caminha por elas, é uma maneira simplista do roteiro, de Lucinda Coxon, evidenciar sua condição. Essa característica se faz presente do início ao fim, com o roteiro evitando qualquer aprofundamento psicológico, limitando-se a repetições de obviedades. Sabemos que o personagem é uma mulher presa no corpo de um homem, não é preciso que a história reforce isso constantemente, das maneiras mais clichês. Um transgênero não quer apenas se vestir como mulher. Um indivíduo é muito mais do que sua sexualidade. Como nos filmes anteriores do diretor, fica a sensação de que ele subestima descaradamente o seu público, o que nunca é um bom sinal.

Por mais que tenha muitos defensores, eu não considero Eddie Redmayne um grande ator, porque em todo momento, até mesmo nas cenas mais despretensiosas de seus filmes, ele faz questão de deixar perceptível que está atuando. É um constante piscar de olhos para os votantes das premiações, o que acaba cansando, já que, apesar de todo o hype que praticamente o tirou da obscuridade do dia para a noite, o rapaz não tem muito carisma natural, tudo nele é forçado, calculado. A frieza na abordagem do filme, que parece estar mais interessado em exibir sua impecável direção de arte (uma atitude “for your consideration” que vem se tornando cada vez menos sutil na indústria), não ajuda o resultado, essa mania moderna de confundir austeridade vazia com elegância, boicotando uma história realmente interessante, com um grande potencial.

O ponto alto é a personagem Gerda, grande momento de Alicia Vikander, essa sim, uma tremenda atriz com muito carisma. A esposa de Einar (Redmayne), uma artista tentando conquistar seu espaço, que sofre a perda do parceiro ao enxergar a feminilidade latente nele, porém, possui a maturidade emocional para ajudá-lo no difícil processo de aceitação, em uma época onde a mudança de gênero era algo inadmissível pela sociedade conservadora e hipócrita.

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