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UMA COLEÇÃO PARA SER APLAUDIDA DE PÉ

29.06.2005
Por Ricardo Cota
UMA COLEÇÃO PARA SER APLAUDIDA DE PÉ

Os perfis biográficos de Carla Camurati e Aracy Balabanian inauguraram, na noite do último dia 27, a agenda de lançamentos da livraria do Unibanco Arteplex, o novo point cinematográfico de Botafogo. Carla Camurati – Luz Natural, assinado pelo crítico de cinema e pesquisador Carlos Alberto Mattos, conta a trajetória da atriz que se transformou em diretora-talismã da retomada do cinema brasileiro, dando peso equivalente à vida pessoal e à carreira profissional de Carla. Por sua vez, Aracy Balabanian – Nunca Fui Anjo, da jornalista Tania Carvalho, expõe com franqueza exemplar os sucessos e fracassos de uma vida inteira dedicada ao teatro e à televisão.



Quem narra tudo isso são as próprias biografadas, na primeira pessoa, em textos editados e trabalhados pelos autores a partir de seus depoimentos. Esse modelo – de alguma forma semelhante ao da famosa autobiografia de Luis Buñuel “ajudada” por Jean-Claude Carrière – é o que prevalece na maioria das edições da Coleção Aplauso. Com uma diferença fundamental: os jornalistas apresentam o seu “personagem” numa introdução e assumem uma espécie de autoria conjunta.



A coleção, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e coordenada pelo crítico de cinema Rubens Ewald Filho, já lançou 50 livros em pouco mais de um ano. Desses, dez são roteiros de filmes como o clássico O Caçador de Diamantes (1933), comentado pelo pesquisador Máximo Barro, e os recentes De Passagem e Cabra-Cega. Os atores e cineastas abordados em biografias somam 31 nomes, entre gente de teatro, cinema e TV. Tania Carvalho, a autora mais profícua, já abordou, além de Aracy Balabanian, Paulo José, Irene Ravache e Rosamaria Murtinho. O crítico paulista Luiz Carlos Merten apurou o itinerário de Anselmo Duarte e Carlos Coimbra. Ao jornalista Marcelo Lyra coube o privilégio de biografar o cineasta Carlos Reichenbach, enquanto Maria do Rosário Caetano assinou o retrato de João Batista de Andrade e vai lançar em breve o de Fernando Meirelles.



Algumas edições especiais, em formato mais luxuoso, privilegiam a iconografia ligada a Sérgio Cardoso, Ney Latorraca, Dina Sfat, Maria Della Costa e a finada TV Excelsior. O luxo, aqui, não afeta o preço de capa dos livros, meros 18 reais. As biografias e roteiros, assim como o volume Cinema Digital, de Luiz Gonzaga Assis de Luca, são vendidos por apenas 9 reais. Mas não é só nos preços acessíveis que a Coleção Aplauso cumpre uma função social importante. A própria coleta desse acervo de memórias das artes cênicas brasileiras é um serviço inestimável.



Não se trata apenas de resgatar o esquecido, mas de reter a experiência de grandes artistas enquanto eles estão vivos e ativos, eternizando sua maneira particular de contar histórias, seu humor e seu balanço de vida e carreira. Os livros contam com um precioso material fotográfico, além de informações técnicas sobre os filmes, peças e programas de TV que compõem o percurso de cada biografado.



A Coleção Aplauso é distribuída gratuitamente a centenas de bibliotecas públicas e centros de cultura em todo o país. Os livros estão à venda em livrarias ou através do site da Imprensa Oficial.

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