Críticas


MARGUERITE

De: XAVIER GIANNOLI
Com: CATHERINE FROT, ANDRÉ MARCON, MICHEL FAU
23.06.2016
Por Luiz Fernando Gallego
Uma peculiar forma de narcisismo: encantar-se com um talento que não se tem.

O enredo aborda a interessante questão relativa à incapacidade de autocrítica de gente muito empolgada por alguma forma de manifestação artística e que se crê “artista”. Como se tivesse talento, mais além da paixão pelo que tenta fazer, entretanto sem ser dotada de condições básicas e razoáveis para se expor ao público fora de um círculo amador e bajulador. Pena que o filme se alongue tanto e nem sempre desenvolva seus sub-enredos de modo satisfatório.

O mesmo tema será visto em breve em outro filme, Florence: quem é esta mulher?, com Meryl Streep dirigida por Stephen Frears, e mais diretamente baseado na vida real de Florence Foster Jenkins, uma ricaça novaiorquina que no início do século XX pretendia cantar óperas sem nenhuma aptidão vocal para o canto lírico. Marguerite é francamente calcado nesta mesma história, apenas transposta para a França e na mesma época.

Mas nem mesmo a composição elegante - e premiada - da atriz Catherine Frot para uma personagem que seria apenas ridícula, mas à qual ela dá humanidade - e até mesmo dignidade – alivia o peso do filme até chegarmos ao desfecho

(ATENÇÃO, SPOILER)

em que surge uma nova versão do mito de Narciso: não poder se ver (no caso, se escutar), mas não porque possa se perder admirando a beleza que traz em si, mas por constatar justamente o oposto.

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Outros comentários
    4334
  • selma weissmann
    23.06.2016 às 10:29

    Também quero assistir. As críticas de Luiz Fernando Gallego, mesmo quando negativas, são incentivadoras.
  • 4392
  • selma weissmann
    09.10.2016 às 13:08

    Perfeito.