Especiais

Festival Brasilia dois mil e dezesseis

49° FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO

20.09.2016
Por Daniel Schenker
Críticas atualizadas diariamente sobre os filmes exibidos no 49° Festival de Brasília

Críticas atualizadas diariamente sobre os filmes exibidos no 49° Festival de Brasília:



Sob protestos de Fora, Temer, o júri oficial de longa-metragem do Festival de Brasília – formado pelas atrizes Camila Márdila e Mayana Neiva, pela produtora Diana Almeida, pelo professor João Luiz Vieira, pela diretora de fotografia Kátia Coelho, pelo crítico Luiz Carlos Merten e pelo cineasta Paulo Caldas – terminou consagrando com quatro Candangos A cidade onde envelheço , filme de Marília Rocha sobre duas amigas portuguesas que dividem um apartamento e expectativas em Belo Horizonte. Já o júri de curta e média-metragem – composto pelos diretores Andy Malafaia, Fernando Severo e Nathalia Tereza, pela jornalista Anna Karina de Carvalho e pelo diretor de arte José Araripe Jr. – escolheu a animação Quando os dias eram eternos , de Marcus Vinicius Vasconcelos, trabalho assumidamente autobiográfico sobre a convivência do cineasta com a mãe, que morreu vitimada pelo câncer.



Longa-metragem:



Filme (júri oficial) – A cidade onde envelheço

Filme (júri popular) - Martírio

Direção – Marília Rocha ( A cidade onde envelheço )

Ator - Rômulo Braga ( Elon não acredita na morte )

Atriz - Elisabete Francisca e Francisca Manuel ( A cidade onde envelheço )

Ator Coadjuvante - Wederson Neguinho ( A cidade onde envelheço )

Atriz Coadjuvante - Samya de Lavor ( O último trago )

Roteiro - Davi Pretto e Richard Tavares ( Rifle )

Fotografia - Ivo Lopes Araújo ( O último trago )

Direção de Arte - Renata Pinheiro ( Deserto )

Trilha Sonora - Pedro Cintra ( Vinte anos )

Som - Marcos Lopes e Tiago Bello ( Rifle )

Montagem - Clarissa Campolina ( O último trago )

Prêmio Especial do Júri Oficial - Martírio

Prêmio Abraccine – Rifle

Prêmio Marco Antônio Guimarães – Martírio

Prêmio Conterrâneos – Vinte anos



Curta-metragem:



Filme (júri oficial) – Quando os dias eram eternos

Filme (júri popular) – Procura-se Irenice

Direção - Fellipe Fernandes ( O delírio é a redenção dos aflitos )

Ator - Renato Novais Oliveira ( Constelações )

Atriz - Lira Ribas ( Estado itinerante )

Roteiro - Fellipe Fernandes ( O delírio é a redenção dos aflitos )

Fotografia - Ivo Lopes Araújo ( Solon )

Direção de Arte - Thales Junqueira ( O delírio é a redenção dos aflitos )

Trilha Sonora - Dudu Tsuda ( Quando os dias eram eternos )

Som - Bernardo Uzeda ( Confidente )

Montagem - Allan Ribeiro e Thiago Ricarte ( Demônia – Melodrama em 3 atos )

Premio Especial do Júri - Estado itinerante

Abraccine – Estado itinerante

Canal Brasil – Estado itinerante



SEXTO DIA:



O espírito de grupo, cordial ou conflituoso, atravessou o curta-metragem – Os Cuidados que se Tem com o Cuidado que o Outro Deve Ter Consigo Mesmos , de Gustavo Vinagre – e o longa – Deserto , de Guilherme Weber – exibidos na última noite de competição do Festival de Brasília. No primeiro, Vinagre filmou pessoas próximas (Caetano Gotardo, Nash Laila, Julia Katherine e Luiz Felipe Lucas) em atmosfera cotidiana. Os atores/personagens cozinham, leem, planejam parar de fumar e ouvem Summertime , na voz de Cida Moreira. Gotardo diz que sente necessidade de chorar, mas não consegue. Aos poucos, o estado emocional dele ganha espaço no curta que, porém, não encorpa na tela.

O grupo reunido por Weber em Deserto integra uma trupe de teatro que vaga pelo sertão à cata de público. Os atores evocam um passado promissor e lamentam a velhice. Quando chegam num povoado abandonado, externam o desejo de ficar, em que pese a oposição do líder da companhia. No instante em que se firmam na localidade, decidem fundar uma nova sociedade, reproduzindo preconceitos históricos arraigados. Sorteiam papéis sociais e cada um começa a desempenhar seu personagem, independentemente da identificação pessoal. “Dessa vez, os papéis vão escolher os atores”, concluem.

Lima Duarte, Cida Moreira, Magali Biff, Everaldo Pontes, Fernando Teixeira, Márcio Rosario, Claudinho Castro e Pietra Pan interpretam os atores do grupo que passam a interpretar personagens com os quais têm dificuldade de estabelecer sintonia. Apesar disso, tentam, pelo menos num primeiro momento, atuar com verdade. Por meio dessa história, livremente inspirada em Santa Maria do Circo , livro de David Toscana, Weber aborda o paradoxo próprio do ofício do ator, que procura imprimir o máximo de verdade ao assumir no palco uma identidade fictícia.

No roteiro, assinado por Weber e Ana Paula Maia, algumas falas soam artificiais (“Ele amou o teatro até o fim”). O diretor, contudo, evidencia controle ao não ceder à tentação de enveredar por uma trilha de comédia aberta, mais voltada para o riso imediato do espectador. O vínculo direto com o público não deve ser desprezado, mas felizmente Weber não faz concessões para alcançá-lo. Em todo caso, o grande destaque do filme é a concepção visual, com predomínio de cores neutras. Os excelentes figurinos de Kika Lopes – suntuosos, mas desgastados, deslocados no ambiente do sertão, remetendo a outro tempo histórico – são um capítulo à parte.



QUINTO DIA:



A quinta noite de competição do Festival de Brasília reuniu trabalhos bem menos promissores que os apresentados até então. A sessão começou com o curta-metragem Confidente , de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, no qual os diretores sobrepõem falas em off (voz de André Dahmer) a diversas imagens, algumas extraídas de filmes de Humberto Mauro e Ruy Santos. Curioso de início, o resultado soa algo estéril. O curta seguinte, Procura-se Irenice , de Thiago B. Mendonça e Marco Escrivão, traz à tona a jornada da atleta Irenice Maria Rodrigues que, por sua voz ativa, sofreu duras represálias durante o regime militar. Apesar de colocar o público diante de uma trajetória importante e do tratamento estético (fotografia de Guilherme Martins, em p&b), o filme segue o formato convencional da sucessão de entrevistas.

Na sequência, o espectador assistiu ao primeiro longa-metragem, Vinte Anos , filme afetivo em que Alice de Andrade recupera antigos personagens de seu primeiro documentário, Luna de Miel (1992). Através deles, traça um panorama de Cuba ao longo das últimas duas décadas. “Cuba vai mudar. Eu não queria que o que vivi aqui se apagasse. Então, decidi filmar a mudança”, afirma a diretora (em off, logo no início da projeção), que tem formação em roteiro no país. Por meio das diferentes rotinas familiares de três casais, a cineasta destaca não “só” a paisagem de Cuba como a situação encontrada por alguns de seus personagens em Costa Rica e Miami.

Os outros dois curtas – Bodas de Papel , de Keyci Martins e Breno Nina, e Demônia – Melodrama em Três Atos , de Cainan Baladez e Fernanda Chicolet – ficaram bem abaixo do nível dos demais concorrentes. A eventual originalidade no modo de filmar ou no tratamento destinado às imagens não supre abordagens um tanto apelativas. O primeiro é centrado numa agressiva fantasia sexual de um casal que busca, por meio dela, quebrar a rotina para, no momento final, retomar a humanidade do elo cotidiano. O segundo se vale do melodrama anunciado no título como escracho. A descoberta de uma traição conjugal evolui rumo a um registro propositadamente exagerado que se materializa num clipe trash.

O segundo longa – Malícia , de Jimi Figueiredo – evidencia filiação ao thriller sem, porém, buscar o clímax normalmente presente em exemplares do gênero. Essa característica pode ser vista como um elemento diferencial nessa produção do Distrito Federal, que conta com bom desempenho de Viviane Pasmanter, mas o entrelaçamento das jornadas dos personagens sugere apenas conflitos geracionais e a tendência a fazer acordos e estabelecer relações clandestinas. O tratamento estético artificial (fotografia de Daniel Basil) também fragiliza o resultado.



QUARTO DIA:



O universo da periferia das grandes cidades – realçado nos curtas-metragens O Delírio é a Redenção dos Aflitos , de Fellipe Fernandes, e Estado Itinerante , de Ana Carolina Soares, e no longa Elon não Acredita na Morte , de Ricardo Alves Jr. – e a temática indígena – presente no curta Abigail , de Isabel Penoni e Valentina Homem, e no longa Antes o Tempo não Acabava , de Sérgio Andrade e Fábio Baldo – marcaram a quarta noite de competição do Festival de Brasília.

Fernandes conduz com admirável habilidade a jornada de Raquel (Nash Laila, ótima), ansiosa para se mudar de um prédio ameaçado de desabar, localizado em conjunto habitacional. Em destaque, o terror da realidade, seja no pânico diante dos ruídos dentro do prédio que sinalizam o perigo, seja no desenrolar da situação de Raquel ao lado da filha. O diretor imprime atmosfera de pesadelo no cotidiano, representada pela ferida que irrompe no corpo da protagonista. Não fecha a história e tende a deixar no espectador uma sensação de curiosidade ao final da sessão.

Soares assina um filme sobre a sacrificante jornada de Viviana, que trabalha como cobradora de ônibus. As mulheres são solidárias entre si; já os homens, referidos como pessoas nada confiáveis. Afinal, Viviana vive um casamento opressor, é destratada diariamente pelo motorista e seu cunhado faz irresponsáveis corridas de motocicleta pelas ruas da cidade (Belo Horizonte). De uma televisão chega notícia sobre mulheres vítimas de violência doméstica. O mundo descrito pela cineasta e o olhar lançado sobre uma cidade de geografia vertical lembra bastante o cinema de Carlos Reichenbach, em especial Anjos do Arrabalde (1987) – ainda que neste a história se passasse na periferia de São Paulo.

Em Elon não Acredita na Morte , Alves Jr. mostra a via-crúcis do personagem-título (interpretado por Rômulo Braga) em busca da esposa desaparecida. Elon percorre espaços de prédios bem populosos – com corredores longos, estreitos e sinuosos – e mergulha no submundo da cidade. Investiga o paradeiro junto a pessoas próximas, como a irmã (Clara Choveaux), personagens que insinuam que ele mantinha com a mulher uma relação claustrofóbica, como, aliás, são os espaços por onde transita. Cabe fazer menção especial à fotografia de Matheus Rocha, que, destituída de vaidade, não maquia os ambientes nada glamourosos. Também é muito expressiva a sequência noturna no prédio onde Elon trabalha como vigia. No elenco, destaque para Grace Passô, em breve participação. À medida que a projeção avança, o diretor investe cada vez mais na trama que cerca o personagem central sem, porém, esclarecer todos os dados sobre a história. Em todo caso, a jornada solitária de Elon é mais interessante do que o crescente suspense que o cineasta procura imprimir.

Isabel Penoni e Valentina Homem se debruçam sobre a trajetória de Abigail Lopes, que morreu em 2011, mas sem a ambição de biografá-la. Percorrem a grande e singular casa de Abigail, que ora parece abandonada, ora repleta de objetos. Essas sequências são mescladas a imagens de arquivo. Penoni narra o filme, fornecendo informações sobre a retratada, que viveu entre os Xavantes e fez iniciação no Candomblé.

Antes o Tempo não Acabava foi, até o presente momento, o filme mais polêmico do Festival de Brasília devido ao retrato que traça dos índios, bastante problematizado por antropólogos que participaram do debate na manhã seguinte à exibição. De fato, Andrade e Baldo parecem vilanizar os índios – pelo menos, os idosos, atados à tradição – ao destacarem o tratamento dispensado a uma criança especial e uma cena, próxima ao final, na qual dopam o protagonista (Anderson Tikuna), um jovem indígena determinado a obter um nome de branco.

Apesar da abordagem, no mínimo, questionável dos indígenas – na contramão de Martírio , de Vincent Carelli –, o filme não é destituído de interesse. Os diretores abordam a crise de identidade do personagem principal – símbolo dos índios que vivem na cidade ou próximos a ela – em relação à sua origem, ao corpo (sexualidade) e aos espaços. Esse último aspecto é o mais curioso, tendo em vista que Andrade e Baldo provocam no público um estranhamento devido à sucessão de ambientes contrastantes (fábrica, floresta, salão de cabeleireiro, ruas marcadas por intenso comércio, boate) que se sucedem abruptamente na tela. É como se a história também fosse contada por meio de uma dramaturgia dos espaços.



TERCEIRO DIA:



A terceira noite de competição do Festival de Brasília contou com uma programação bem diferente em suas duas metades. Na primeira foram exibidos o curta-metragem Solon , de Clarissa Campolina, e o longa O Último Trago , de Luiz e Ricardo Pretti e Pedro Diogenes; na segunda, o curta Constelações , de Maurilio Martins, e o longa A Cidade onde Envelheço , de Marilia Rocha. Os dois primeiros demonstraram, em termos bem gerais, filiação ao cinema experimental. Os dois últimos abordaram, em propostas de relação mais direta com o público, a conflituosa esfera dos relacionamentos.

Em Solon , Campolina promove uma interação entre cinema e artes plásticas num filme sem falas que coloca o espectador diante de uma criatura que, aos poucos, adquire forma humana. A diretora lança uma proposta sensorial, seja por meio da importância destinada a elementos básicos como a terra e a água, seja através das variações de textura da imagem, frequentemente granulada.

Nas imagens sanguíneas de O Último Trago , os irmãos Pretti e Diógenes destacam corpos marcados (por tatuagens ou feridas) e espaços que se revelam contrastantes durante o dia – um sertão vasto, no qual impera a natureza grandiosa, imponente – e a noite – o ambiente fechado de um bar com atmosfera de bas-fond, captado de maneira expressiva pela fotografia de Ivo Lopes Araújo e concebido em detalhes pela direção de arte de Lia Damasceno e Thais de Campos. As músicas (de Uirá dos Reis e Daniel Medina) são entoadas em cena pelos próprios atores. Mas, à medida que a projeção avança, o interesse em relação ao desenrolar da história diminui consideravelmente. Cabe destacar, em todo caso, as interpretações de alguns atores, em especial a de Rodrigo Fischer.

Em Constelações , Martins reúne dois desconhecidos numa noite chuvosa que confessam acontecimentos íntimos de suas vidas, mas sem que um entenda o que o outro está dizendo, tendo em vista que não falam a mesma língua (ele é brasileiro e ela, dinamarquesa). O diretor concentra o filme nos trabalhos dos atores (Renato Novais Oliveira e Stine Krog-Pedersen, cabendo destacar a atuação dela) e boa parte da “ação” numa noite, dentro de um carro, aproveitando o som monocórdio do limpa-vidro.

Marilia Rocha, em A Cidade onde Envelheço , investe no naturalismo para apresentar as jornadas de duas amigas, ambas portuguesas, em Belo Horizonte. Francisca já está na capital mineira, onde trabalha como garçonete, há algum tempo, enquanto Teresa desembarca para encontrá-la. Ao longo do filme, a primeira começa a externar o desejo de voltar para Lisboa, enquanto a segunda faz amizades (com o músico e ator Jonnata Doll, interpretando si mesmo) e se adapta cada vez mais à nova realidade. A diretora conduz com segurança as atrizes (Elizabete Francisca e Francisca Manuel), que apresentam “atuações invisíveis”, distantes do tradicional registro de representação, e o desenvolvimento de uma história pequena e singela. Presta homenagem a Belo Horizonte, destacada por seus bares, parques e sinucas, ao elevá-la ao status de personagem do filme. Reforça a construção ou a necessidade de retomada de espaços familiares com certa nostalgia (vitrola, vinis).





SEGUNDO DIA:



Documentário dirigido por Vincent Carelli (com a colaboração de Ernesto de Carvalho e Tita), Martírio fornece, ao longo de 160 minutos de projeção, um panorama abrangente das injustiças que assolam o Brasil contemporâneo a partir da via-crúcis enfrentada há décadas pela tribo Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul. Expulsos frequentemente de suas terras, vítimas de violentos ataques, os índios vêm reivindicando o reconhecimento de direitos básicos. As passagens que trazem discursos de autoridades políticas do cenário atual incendiaram a plateia do Cine Brasília, que, em todas as sessões, tem manifestado revolta, juntamente aos artistas, por meio de gritos de “Fora, Temer”, protesto também estampado, com ligeiras variações, nas camisetas das equipes dos filmes. Carelli evoca sua primeira visita à região, em 1988, e proporciona uma viagem temporal ao articular passado (recente e remoto) e presente, mostrando como a situação dos índios se agravou com os anos. O comprometimento íntimo do cineasta é frisado através do recurso da narração em primeira pessoa, que atravessa a produção. Há um trabalho de pesquisa bastante expressivo, a julgar pelas imagens de arquivo. Mas Martírio bate na tela como uma realização mais relevante sob o ponto de vista político do que artístico. A narração explica constantemente a imagem, evidenciando o caráter didático do projeto.



PRIMEIRO DIA:



A sintonia temática entre o longa-metragem – Rifle – e os curtas – Ótimo Amarelo e Quando os Dias eram Eternos – que integraram a primeira noite de competição foi bem perceptível. De modos diversos, todos abordam momentos de transição, dolorosos ritos de passagens, e as dificuldades dos personagens de enfrentá-los. Em Rifle , Davi Pretto destaca a resistência de um rapaz, Dione (Dione Avila de Oliveira), diante das mudanças responsáveis pelo esvaziamento da região onde mora, no interior do Rio Grande do Sul. Há uma conexão entre a transformação do lugar de origem e a dissolução do núcleo familiar. A postura de Dione lembra, em algum grau, a de Clara, protagonista de Aquarius , de Kleber Mendonça Filho. São personagens que, apesar de agirem de maneiras diferentes, não cedem às pressões dos poderosos e permanecem fiéis a um mundo afetivo pouco valorizado num contexto pragmático. O diretor conjuga a gramática do documentário – por meio do trabalho com não-atores (a maioria empresta o próprio nome ao personagem) e do retrato de um Brasil rural cada vez menos povoado – com a da ficção – através do vínculo com o cinema de gênero e da orquestração de uma trama, à medida em que Dione se inflama com o rumo dos acontecimentos. Pretto assume influências (nos créditos finais há agradecimentos aos cineastas Abbas Kiarostami e John Ford) e alcança resultado expressivo, valendo elogiar a fotografia de Glauco Firpo.

Em Ótimo Amarelo , Marcus Curvelo (diretor e ator do curta) volta a Salvador e evidencia nostalgia pelo passado. Ao longo do filme, ambientado no bairro do Rio Vermelho, ele envia mensagens de whatsApp para amigos antigos. O presente não é mostrado com muita esperança, a julgar pelas imagens da cidade, tomada por obras de remodelação que tendem a apagar as marcas de um passado afetuoso. Na animação Quando os Dias eram Eternos , o cineasta Marcus Vinicius Vasconcelos se coloca como personagem do próprio filme ao trazer à tona o período em companhia da mãe, cada vez mais debilitada pelo câncer. O diretor buscou inspiração em My Mother , trabalho de Kazuo Ohno, mestre do butoh, a dança do renascimento pós-Hiroshima e Nagasaki.

Voltar
Compartilhe
Deixe seu comentário