Críticas


FESTIVAL DO RIO 2005: A SOMBRA DO ANDARILHO

De: CIRO GUERRA
Com: CÉSAR BADILLO, IGNACIO PRIETO
27.09.2005
Por Daniel Schenker
DIFÍCEIS CONCILIAÇÕES

A Sombra do Andarilho parece misturar influências de duas escolas contrastantes: a documental e a melodramática. A primeira referência surge contida na tentativa de retratar as mazelas da Colômbia, um país em que “ninguém ajuda ninguém” e tomado por uma legião de desempregados, como Mañe, que não consegue pagar o aluguel e é alvo diário do sadismo de jovens delinqüentes. A segunda desponta na utilização da trilha sonora e no desenlace carregado nas tintas e tomado por coincidências um tanto inverossímeis que ferem a coerência deste trabalho de Ciro Guerra, diretor que sublinha através de determinadas opções estéticas uma aparência de filme de estréia.



De fato, o cineasta está debutando no terreno do longa-metragem com A Sombra do Andarilho . Não se pode negar completamente a existência de pontos de interesse. O principal deles: o investimento na relação travada entre dois sujeitos desamparados – Mañe, que perdeu uma perna, e um homem, aterrorizado pela culpa por terríveis fatos do passado, que trabalha carregando as pessoas nas costas por Bogotá. A Sombra do Andarilho evolui bem no presente dos personagens, mas perde muito quando eles começam a relembrar experiências trágicas que acabam unindo-os numa espécie de trama bastante artificial e novelesca. Ciro Guerra não esconde a dificuldade em conciliar gêneros e épocas diferentes.





# A SOMBRA DO ANDARILHO (LA SOMBRA DEL CAMINANTE)

Colômbia, 2004

Direção e Roteiro: CIRO GUERRA

Elenco: CÉSAR BADILLO, IGNACIO PRIETO

Duração: 100 minutos

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