Críticas


FESTIVAL DO RIO 2005: CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO

De: NEIL JORDAN
Com: CILLIAN MURPHY, LIAM NEESON, STEPHEN REA
05.10.2005
Por Daniel Schenker
AS CONSTRUÇÕES DE PATRICK

Patrick “Kitten” Braden, o protagonista de Café da Manhã em Plutão , é uma personagem que exibe seu processo de construção. Para ser fiel ao seu sentir mais profundo, ele constrói uma voz, uma fisicalidade, um estar no mundo repleto de especificidades bastante aparentes. Assim, sua afetação talvez não deva ser vista como mera reunião de sinais exteriores, mas sim como a projeção fiel de uma interioridade.



Há ainda uma outra construção bastante importante. Obrigado a encontrar sozinho o seu caminho após ser abandonado ao nascer e entrar em conflito direto com a família adotiva, ele constrói um universo ilusório para suportar a realidade nada favorável. Universo fantasioso, mágico e, sobretudo, infantil. Faz sentido, portanto, que Patrick não apareça exercendo a sua sexualidade, apesar do seu poder de fascínio em relação aos homens e das diversas insinuações presentes ao longo deste filme excessivamente longo de Neil Jordan, que voa mais baixo do que em trabalhos como À Procura do Destino e Na Companhia dos Lobos .



O interesse, porém, permanece sustentado graças a Patrick, uma personagem que não se esgota facilmente. Fica a impressão de que ele talvez não seja “simplesmente” alguém que utiliza o deboche como forma de defesa. Afinal, às vezes, Patrick parece movido pela inconseqüência, por um distanciamento total de si mesmo nas situações mais extremadas – valendo citar seu desprendimento ao quase ser assassinado e diante do atentado que sofre. É como se despontasse na tela grande como uma figura escorregadia e impalpável. Indefinida, o que, pelo menos até certo ponto, não parece ruim.





# CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO (BREAKFAST ON PLUTO)

Irlanda / Grã Bretanha, 2005

Direção e Roteiro: NEIL JORDAN

Elenco: CILLIAN MURPHY, LIAM NEESON, STEPHEN REA

Duração: 135 minutos



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