Críticas


FESTIVAL DO RIO 2007: O NOME DELA É SABINE

De: SANDRINE BONNAIRE
Com: SABINE BONNAIRE, SANDRINE BONNAIRE
22.09.2007
Por Carlos Alberto Mattos
O AUTISMO DE SANDRINE

Eis a primeira pergunta que me veio à cabeça ali pela metade da projeção de O Nome dela é Sabine: e se Sabine não fosse irmã da atriz Sandrine Bonnaire, qual seria nosso interesse por essa quase simplória exposição de um caso de autismo?



Pelas antigas cenas de filmes domésticos, somos levados a saber que Sandrine filmava a irmã doente há muito tempo – uma tentativa, talvez, de dividir com ela o papel de estrela que construía para si própria no cinema francês. Ou melhor, uma manifestação de carinho à sua maneira, uma pequena compensação. No longa-metragem, essas cenas ressurgem em slow motion, ao som de um piano dolente. O que era brincadeira de irmãs no passado vira memória dolorida no presente, já que Sabine não mais se relaciona com a câmera. Restou apenas uma carência, um pedido constante para que Sandrine esteja por perto. Sandrine, porém, não está.



Está a câmera, implacável no registro da irmã desequipada para a vida de adulta. Sabine comendo desajeitadamente, Sabine gritando sem mais nem menos, Sabine recusando-se a levantar-se do chão, Sabine chorando e rindo diante das imagens de uma Sabine mais magra e esperta no DVD do passado.



Sandrine, a irmã que se projetava nas telas enquanto a outra se obscurecia na enfermidade, insinua carregar uma culpa. Acusa nominalmente a mãe de ter ajudado a destruir a filha doente, que acabou sendo internada por cinco anos desastrosos para seu estado geral. Sandrine purga a culpa angariando fundos para um lar de autistas, onde Sabine hoje vive junto com outros pacientes. Mas Sandrine está no filme de maneira muito indireta, como se se escondesse por trás da câmera. As cenas se sucedem sem muita variação, nem uma reflexão que as justifique por tanto tempo na tela. Sandrine parece não ter muito o que dizer sobre sua consciência pesada, nem sobre seu amor pela irmã.



Impossível não relacionar o filme com o belo curta Clarita, de Thereza Jessouroun, balanço da relação da cineasta com sua mãe portadora de Alzheimer. Thereza está inteira no seu pequeno filme. Sandrine escapa pelas bordas. Tem dificuldade em se comunicar. Seu caso pode ser diagnosticado como autismo cinematográfico.



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O NOME DELA É SABINE (ELLE S’APPELLE SABINE)

França, 2007

Direção:
SANDRINE BONNAIRE

Roteiro: SANDRINE BONNAIRE, CATHERINE CABROL

Duração: 85 minutos

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