Críticas


EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO, O

De: McG
Com: CHRISTIAN BALE, SAM WORTHINGTON, HELENA BOHAM-CARTER, BRYCE DALLAS-HOWARD.
05.06.2009
Por Leonardo Luiz Ferreira
<i>I´LL BE BACK</i>

O famoso logo da Columbia Pictures surge em preto e branco na tela. Esse elemento poderia indicar um sinal de que o diretor McG poderia repetir em O Exterminador do Futuro: A Salvação (2009) o mesmo procedimento de reciclagem de signos do caldeirão da cultura pop que empreendeu em As Panteras II: Detonando (2003). Mas diferente do seriado clássico, a franquia de ficção científica está estruturada a partir de um número de convenções que não poderiam ser desprezadas. Por mais que ele tente de maneira discreta inserir novos elementos, acaba por acatar as ordens dos produtores e a pressão do estúdio para que o filme seja bem recebido nas bilheterias ao redor do mundo. Até esse ponto tudo bem, pois o cineasta Jonathan Mostow fez o mesmo com o terceiro filme, lançado em 2003, mas a diferença significativa está no artesanato de McG, que não sabe condensar um cinema de gênero, com inspirações no filme B, a um entretenimento puro e simples, como fez James Cameron nas duas primeiras obras da série cinematográfica.



A tentativa de McG em definir um projeto estético para o filme fica clara na opção das cores terrosas e na exposição da granulação na imagem. Ele tenta dar um rosto para esse futuro apocalíptico e se aproxima da Guerra do Golfo e sua missão Tempestade do Deserto. Enquanto Cameron aposta na limpidez dos planos, McG investe na opressão das imagens para construir a atmosfera em O Exterminador do Futuro: A Salvação. Nesse sentido, há sim um esboço de assinatura visual, por mais que se emule uma outra franquia, Mad Max, de George Miller, e até mesmo remeta ao trabalho do diretor russo Aleksandr Sokurov - que esteve em cartaz no Brasil, durante o ano passado, com O Sol (2006) – nas tomadas do princípio em meio ao conflito entre homem e máquina; e em todos os planos áridos. Só que o longa vai carecer de uma identidade que vai além da visual e que esbarra na dificuldade de seu diretor em narrar uma história, que já conta com diversos fatos pregressos e que devem ser seguidos. Alia-se a isso um roteiro problemático, que gera inúmeras contestações, e um sentimento de que essa aventura é uma mera ponte para mais um episódio – sem muita razão de existir que não pavimentar o caminho.



A direção de McG busca aproximar a todo custo o espectador da cena em um resgate do cinema de ação dos anos 70 e 80 em que os efeitos especiais eram utilizados para capturarem o olhar e não para dispersarem com pirotecnias gratuitas, como acontece com todo o cinema de diluição de Michael Bay (Bad Boys II). A decupagem se escora no plano-sequência para dar dinâmica e realismo nas tomadas. Além disso, evita-se cortar em demasia e manter assim a narração fluida para se diferenciar de uma corrente de blockbusters recentes. O objetivo sempre é imprimir intensidade, ainda que uma certa apatia tome conta de grande parte do elenco ao desempenharem seus papéis. Nesse quesito, Christian Bale deixa novamente a desejar quando assume o papel principal de um filme comercial, como já havia feito em Batman Begins. Ele não transmite contornos dramáticos e carrega no semblante um distanciamento do projeto: parece que o cinema se tornou algo pesaroso ao ator. Portanto, em O Exterminador do Futuro: A Salvação perde-se esse corpo central em cena e transparece-se uma falta de habilidade em McG para construir vida à seus personagens na tela, bem diferente da imagem do ciborgue criada pela dupla Cameron-Schwarzenegger.



A segunda parte do longa resulta em uma funcionalidade mais bem acabada, com suas referências diretas aos outros filmes da franquia, como a música "You Could Be Mine", um sucesso do Guns and Roses, e a frase clássica de O Exterminador. E esse entrecho até o final demonstra que McG estudou bastante a série e se inspirou no trabalho de James Cameron para desenhar a sua obra. Porém, acaba por entregar mais do mesmo, e com um material bem inferior, cujo único lampejo de interesse vai residir no personagem Marcus Wright (Sam Worthington), que insere uma discussão central em O Exterminador do Futuro: a relação entre homem e máquina. Essa, que já era atual em 1984, tornou-se indissociável no século XXI. E vem dessa preocupação a essência do primeiro script escrito por Cameron e Gale Anne Hurd, que recebe agora um possível desdobramento com a utilização dos humanos como escravos das máquinas, e não o contrário, em uma ambientação que remete aos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial. É nessa parte que O Exterminador do Futuro: A Salvação tem o seu plano mais provocador ao colocar uma máquina com coração humano numa posição de crucificação. Uma pena que a força que esse signo carrega não seja levada adiante e a narrativa siga as regras tradicionais do produto cinematográfico para faturar milhões.



# O EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO (Terminator: Salvation)

EUA, 2009.

Direção: McG

Roteiro: JOHN D. BRANCATTO e MICHAEL FERRIS

Fotografia: SHANE HURLBUT

Montagem: CONRAD BUFF

Produção: DEREK ANDERSON, MORITZ BORMAN, JEFFREY SILVER e VICTOR KUBICEK

Elenco: CHRISTIAN BALE, SAM WORTHINGTON, HELENA BOHAM-CARTER, ANTON YELCHIN, BRYCE DALLAS-HOWARD e MICHAEL IRONSIDE

Duração: 115 minutos

Site oficial: http://www.sonypictures.net/movies/terminatorsalvation/





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