Críticas


QUASE UM SEGREDO

De: JACOB AARON ESTES
Com: RORY CULKIN, CARLY SCHROEDER, SCOTT MECHLOWICZ
14.12.2005
Por João Mattos
UM TIPO DE PASTORAL AMERICANA

Na curta duração de Quase um Segredo, há o entrecho, uma intriga, e daí se alimenta o aspecto menos interessante do todo. Mas nessa hora e meia, há também o fazer cinema que se apreende e surge da maneira como se concatenam as imagens. Este também é um filme daqueles que evocam toda uma mitologia de manifestações artísticas passadas no interior dos EUA (romances, canções, poemas, etc) tendo a natureza como cenário privilegiado, tratando de ritos de passagem, e falando da violência latente (física e emocional) que muitas vezes está presente na vida dos adolescentes. Dá para enxergar também, uma leve influência do cinema do estilo do diretor Terrence Malick, e os três filmes dele, pela maneira como filmam o homem na natureza, em especial Terra de Ninguém (1973), embora naquele o jovem casal central tenha um pouco mais de idade que os adolescentes deste aqui. Os planos da única menina do grupo divagando desnorteada depois do incidente também lembram o diretor mais experiente.



É tudo que circunda Quase um Segredo. O diretor estreante Jacob Aaron Estes sabe extrair o máximo da modéstia de sua trama sem forjar um microcosmo forçado. Mas não é correto ver na realização um puro filme de atmosfera, daqueles que cobre as deficiências ou falta de charme da dramaturgia de um filme, pois a direção brilha na maneira como desenha as imagens de modo que acabam por tornar mais relevantes as questões propostas na intriga. As duas grandes cenas de interação entre os adolescentes (as conversas no carro e no passeio, dentro do barco), se destacam e mostram como o diretor sabe filmar em espaços reduzidos e com poder de síntese, retratando toda a turbulência emocional do grupo de adolescentes: a vontade de ser aceito ainda que à base da mentira e da encenação de comportamento, as alterações bruscas de humor e julgamento moral próprias desse período da vida e do desenrolar da trama do filme, trafegando assim, entre diversos sentimentos.



O único momento em que Estes cede à um certo discurso intelectual mais claro, de passar uma idéia que se pretende mais profunda, é na narração do fim, só que longe desse momento parecer artificial ou prepotente, dá à conclusão um lastro de ironia e tristeza profunda, ainda maior do que já havia, e de uma real tragédia. A notar também que todas as interpretações dos seis atores adolescentes são de altíssimo nível, e nada naturalistas.



# QUASE UM SEGREDO (Mean Creek)

EUA, 2004

Direção e Roteiro: JACOB AARON ESTES

Produção: HAGAI SHAHAM, SUSAN JOHNSON, RICK ROSENTHAL

Fotografia: SHARONE MEIR

Montagem: MADELEINE GAVIN

Música: GRETCHEN LIEBERUM, ETHAN GOLD

Elenco: RORY CULKIN, CARLY SCHROEDER, SCOTT MECHLOWICZ, JOSH PECK, RYAN KELLEY, TREVOR MORGAN

Duração: 90 min

site: http://www.meancreekmovie.com/

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