Críticas


KING KONG

De: PETER JACKSON
Com: NAOMI WATTS, ADRIEN BRODY, JACK BLACK
02.01.2006
Por Daniel Schenker
O ESQUEMÃO E SEU AVESSO

O bom resultado alcançado numa superprodução do porte de King Kong está ligado ao fato de Peter Jackson, o neozelandês mais querido de Hollywood, conhecer o avesso do esquemão. Não se pode deixar de assinalar que antes de apostar em arrasa-quarteirões, como os exemplares da trilogia O Senhor Dos Anéis , Jackson fez o divertidíssimo trash Fome Animal e elogiado Almas Gêmeas (cuja repercussão garantiu seu reconhecimento internacional).



Apesar de se valer de orçamentos astronômicos, o diretor parece saber que o cinema independe deles e, de fato, King Kong não soa reverente à tecnologia. Ao contrário da maior parte dos filmes de entretenimento contemporâneos, este não se revela uma realização aprisionada em monótona sucessão de efeitos especiais.



Por dentro da malha blockbuster, Peter Jackson investe muma sátira divertida ao sistema. Quase todos são atingidos por sua metralhadora giratória. Os poderosos da indústria cinematográfica, guiados pelo tilintar das caixas registradoras, não ficam sobrecarregados com a carga crítica. Há ainda diretores que transformam projetos pessoais em obsessões e atores canastrões acomodados no sucesso graças à estampa. E o deboche com o tradicional musical para turistas da Broadway é impagável.



Mas o filme conquista mesmo o espectador com a bem dosada história de amor entre King Kong (com excelente desenho emocional) e a jovem Ann Darrow (Naomi Watts) que, iniciada na Ilha da Caveira, atinge o clímax nos arranha-céus de Nova York, reconstituída nos duros anos da Grande Depressão.



Nova investida numa história contada pela primeira vez em 1933 e depois em 1976, King Kong é mais um legítimo exemplar da era do remake. Se por um lado Peter Jackson não chega a realizar uma apropriação artística que o torne merecedor do posto de autor, por outro consegue cumprir as exigências comerciais da grande indústria sem aderir à passividade.



# KING KONG

EUA, 2005

Direção: PETER JACKSON

Produção: FRAN WALSH, PHILIPPA BOYENS, CAROLYNNE CUNNINGHAM, JAN BLENKIN, PETER JACKSON

Roteiro: FRAN WALSH, PHILIPPA BOYENS, PETER JACKSON

Trilha Sonora: JAMES NEWTON HOWARD, BLAKE NEELY

Fotografia: ANDREW LESNIE, DEREK WHIPPLE

Edição: JAMIE SELKIRK

Elenco: NAOMI WATTS, ADRIEN BRODY, JACK BLACK

Duração: 187 minutos

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