Críticas


POLISSIA

De: MAÏWENN
Com: MAÏWENN, JOEY STARR
26.09.2012
Por Susana Schild
BRIGADA BIPOLAR

Polisse (no original), terceiro longa de Maïwenn, recebeu um generoso prêmio especial do júri no festival de Cannes de 2011. O filme tem qualidades, é verdade, mas também muitos problemas. Como pontos positivos, o vigor, a urgência, a liberdade da câmera no registro da ação de uma brigada policial parisiense voltada para a proteção de crianças e adolescentes em risco – da exploração para a mendicância à pedofilia. As vítimas não estão restritas a segmentos sociais de excluídos, como moradores de periferia e imigrantes. As perversões domésticas da burguesia também estão representadas. Alguns depoimentos atingem uma rara contundência, como o da mãe africana sem condições de criar o filho.



Talvez pela vida paralela de atriz e modelo, Maïwenn não quis acumular apenas as funções de diretora e roteirista e se escalou como fotógrafa das ações policiais. Aí começam os problemas. Para dar algum sentido à personagem tão irrelevante, a moça se envolve com um agente (o excelente Joey Starr), já brindado com um bom lote de conflitos.



O entrelaçamento das batidas com a vida pessoal da equipe não contribui para o desenvolvimento de uma trama com resultado bipolar: as questões profissionais, nas ruas e as tensões internas dos bastidores, envolvendo questões hierárquicas, são abordadas com realismo e maturidade. Já as questões afetivas são focalizadas com lentes amadoras, apesar do bom rendimento do elenco.



A duração da história (127 minutos) não atenua as dificuldades e o final em dose dupla também é problemático: o primeiro, pela gratuidade de um ato na área pessoal; o segundo pela ambigüidade envolvendo uma vítima de pedofilia.



Publicada em O Globo em 21/9/2012

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