Em um mundo pós-apocalíptico próximo, a costa leste americana se impõe como capital da distopia. A população sobrevive ao caos oprimida entre forças do mal (traficantes de drogas pesadíssimas ) e do bem (agentes da Justiça). Apesar do maniqueísmo explícito, os dois grupos compartilham da mesma artilharia pesada e tecnologia de última geração. Os juízes em ação acumulam as funções de prender, julgar e executar em tempo recorde, como demonstra o temido Dredd (Karl Urban), tão destituído de subjetividade que nem mostra o rosto, preservado por reluzente capacete.
Em mais um dia de cão, ele aproveita a missão para avaliar uma sonolenta aprendiz que, graças a uma mutação genética, tem o poder de ler pensamentos dos inimigos, arma tão letal quanto os últimos lançamentos da indústria bélica. Inspirado em quadrinhos de John Wagner e Carlos Ezquerra, que renderam uma execrada versão em 1995 com Sylvester Stallone, Dredd volta a atacar com estilizados recursos em 3D, e direção de Pete Travis. Com impressionantes fotografia, montagem, trilha sonora e efeitos especiais, a produção não economizou munição para valorizar balas atravessando em câmera lentíssima corpos e cérebros em uma curiosa conciliação de alta tecnologia e barbárie.
Publicada em O Globo em 21/2/2012