EUA, 2001. 121 min. Leg. Eletr. Português.
De Rose Troche
Com Glenn Close, Dermot Mulroney, Jessica Campbell, Patricia Clarkson e Moira Kelly
Circuito: dia 2 (Estação Barra Point 1, 21h30), dia 7 (Estação Botafogo 1, 16h30), dia 10 (Estação Paissandu, 16h30)
Visto do alto, o cenário de O Espelho do Cotidiano sugere um exemplo de qualidade de vida: um subúrbio qualquer dos Estados Unidos, com suas ruas largas, casas com jardins de gramados bem tratados, piscinas, um canto para churrasqueira no quintal. Não é de hoje que diretores se entusiasmam em mostrar que uma casa no campo, longe do estresse das metrópoles, não é garantia de vida saudável.
Em certo sentido, Rose Troche seguiria a mesma trilha, pelo menos quanto ao tema. Ao escolher quatro famílias vizinhas e entrelaçar suas vidas, a diretora distribui vasto repertório de mazelas pelas esferas pessoal, profissional, conjugal, afetiva. Em O Espelho do Cotidiano sofrem os casais, as mães, os pais, os filhos adolescentes, as crianças. Sofre Esther (Glenn Close) a mãe que zela pelo filho em coma, e também a filha adolescente, que se sente culpada pelo acidente do irmão. Sofre a vizinha descasada envolvida com o rapaz que se acidenta, sofre o vizinho que não é valorizado no trabalho. Neste cenário bucólico, meninos brincam de boneca e meninas que parecem meninos preferem jogar bola.
Além de criar uma vasta gama de dramas em torno de culpas, preconceitos e valores, a diretora decidiu misturá-los, a exemplo do que faz o mestre do cinema de linhas cruzadas Robert Altman, ou filiados mais ou menos diretos, como Todd Solondz (Felicidade), e Paul Thomas Anderson (Magnolia). No entanto, sem a vivacidade e o brilho do mestre, sem a corrosão de Felicidade ou os personagens marcantes de Magnolia, Rose Troche fica no meio do caminho entre uma narrativa pretensamente sofisticada e personagens banais apesar de atuações corretas. O resultado termina tão frustrante quanto as vidinhas que retrata.