Críticas


CANNES 2022: “DECISION TO LEAVE”

De: PARK CHAN-WOOK
Com: TANG WEI, PARK HAE-IL
27.05.2022
Por Marcelo Janot
Park Chan-wook incorpora ao seu cinema elementos clássicos do cinema noir e um ar hitchcockiano

A histórica vitória de “Parasita”, de Bong Joon-Ho, no Oscar de 2020, deu ao cinema sul-coreano uma popularidade inédita que se refletiu no sucesso da série “Round 6”. Agora que a atividade cinematográfica começa a retomar seu ritmo normal, há uma expectativa imensa para novos lançamentos vindos de lá. Em Cannes, quem deu as caras com seu novo filme foi um coreano velho conhecido aqui do Ocidente: Park Chan-wook é um dos nomes mais importantes da geração de cineastas sul-coreanos nascidos nos anos 60, e até o sucesso de “Parasita” era o mais popular também. Ficou conhecido – e cultuado – mundo afora com sua Trilogia da Vingança (que teve na obra-prima “Old Boy” seu ponto alto), passou por uma experiência ruim rodando em inglês com elenco internacional no fraco “Segredos de Sangue” e deu a volta por cima em alto estilo com “A Criada”.

Se “A Criada”, adaptado de um romance britânico, já era diferente de seus filmes que tinham como tema central a vingança, no novo “Decision to Leave”, bastante aplaudido e elogiado pela crítica na competição de Cannes, ele incorpora à trama policial elementos clássicos do cinema noir e um certo ar hitchcockiano que remete a “Um Corpo Que Cai”.

Hae-joon (Park Hae-il) é o policial de Busan encarregado de investigar a morte de um homem que caiu do alto de um penhasco em circunstâncias misteriosas. A principal pessoa que pode ajudá-lo é a viúva da vítima, Seo-rae (Tang Wei). Ela é uma imigrante chinesa que fala coreano com dificuldade, e sua frieza ao tratar da morte do marido (que a espancava) causa certo estranhamento no policial. Ao mesmo tempo em que as investigações prosseguem e elementos vão deixando-a sob suspeita, Hae-joon se sente seduzido por ela e começa a colocar em risco seu próprio casamento.

Não é difícil para o espectador entender como, apesar de ser um policial dedicado ao cumprimento do seu dever, Hae-joon é carregado por essa tormenta. A atriz chinesa Tang Wei, que já tinha demonstrado seu sex appeal de maneira intensa em “Desejo e Perigo” (1997), de Ang Lee, aqui atinge o ápice de sua maturidade artística como essa irresistível femme fatale, numa interpretação delicada e cheia de nuances como pede um filme com tantas reviravoltas e surpresas, algo que Park Chan-Wook faz tão bem.

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